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Alta do petróleo pode levar usinas a priorizar produção de etanol no Brasil

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A recente escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, pode alterar a dinâmica de produção do setor sucroenergético e influenciar as decisões de mix das usinas brasileiras entre açúcar e etanol.

Com o agravamento do conflito na região, considerada uma das principais rotas globais de comércio de petróleo, o preço do barril chegou a US$ 114, registrando alta de cerca de 23% em apenas uma semana, segundo levantamento divulgado pela consultoria internacional Rystad Energy.

O cenário é especialmente sensível devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz, por onde passam aproximadamente 15 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a cerca de 20% da oferta global. Qualquer instabilidade na região tende a impactar diretamente os preços da energia no mercado internacional.

Historicamente, o comportamento do petróleo tem influência direta sobre o setor sucroenergético. Quando os preços do petróleo sobem, o custo da gasolina tende a acompanhar esse movimento, ampliando a competitividade do etanol como alternativa energética.

Nesse contexto, as usinas brasileiras podem rever suas estratégias de produção e destinar maior volume de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol, reduzindo a parcela direcionada ao açúcar.

Essa dinâmica é relevante porque o Brasil é hoje o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e um dos principais exportadores globais de açúcar. Alterações no mix produtivo do país podem ter reflexos diretos na oferta internacional da commodity.

Na safra 2025/26, as usinas brasileiras priorizaram a produção de açúcar, aproveitando o cenário favorável de preços no mercado externo. Em determinados momentos do ciclo, a participação do açúcar no mix de produção chegou a quase 55%, especialmente no período de pico da moagem no Centro-Sul.

No entanto, com o fortalecimento do etanol em função da valorização do petróleo e da demanda por combustíveis renováveis, a tendência para a próxima safra é de maior equilíbrio entre açúcar e etanol, com estimativas apontando para uma participação do açúcar próxima de 48% do mix de produção.

Para o setor sucroenergético, esse cenário reforça a importância da flexibilidade industrial das usinas, que permite ajustar rapidamente a destinação da cana conforme as condições do mercado energético e das commodities agrícolas.

Além disso, a valorização do etanol ocorre em um momento em que o biocombustível ganha cada vez mais relevância na agenda global de transição energética e descarbonização, ampliando seu papel estratégico dentro da matriz energética brasileira.

*Marcos Antonio Zeneratto é Engenheiro Agrônomo, Mestre em Produção Vegetal pela UNESP de Jaboticabal e idealizador do AraçaCana.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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