Os preços do açúcar voltaram a recuar no mercado internacional e atingiram mínimas de duas semanas, pressionados principalmente pelo aumento da produção na Índia e no Brasil, em um cenário global ainda marcado por expectativa de excedente da commodity. O contrato com vencimento em maio caiu 0,2%, para 14,97 centavos de dólar por libra-peso.
O movimento reflete, em parte, o impacto de dados divulgados pela National Federation of Cooperative Sugar Factories Ltd., que apontaram alta de 9% na produção de açúcar da Índia na safra 2025/26, no período de 1º de outubro a 31 de março, totalizando 27,12 milhões de toneladas. O avanço reforça a percepção de maior oferta global e contribui para o viés baixista dos preços.
As perdas chegaram a ser parcialmente limitadas com a valorização do real frente ao dólar, que atingiu o maior nível em três semanas e meia. A apreciação da moeda brasileira tende a desestimular as exportações, reduzindo a competitividade do açúcar do país no mercado internacional.
No Brasil, o aumento da produção também reforça a pressão sobre os preços. Dados da UNICA indicam que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 (de outubro até meados de março) atingiu 40,25 milhões de toneladas, alta de 0,7% na comparação anual. O mix açucareiro também avançou, com 50,61% da cana direcionada à produção de açúcar, acima dos 48,08% registrados no ciclo anterior.
Apesar do cenário de pressão, o mercado chegou a registrar movimento de alta recente. Na semana passada, os contratos em Nova York atingiram o maior nível em quase seis meses, enquanto Londres alcançou máximas superiores a seis meses, impulsionados pela valorização do petróleo. O avanço da commodity energética — refletido nos contratos Crude Oil Futures CL — elevou a atratividade do etanol, o que pode incentivar usinas a direcionarem mais cana para biocombustível e reduzir a oferta de açúcar.
Outro fator de suporte pontual vem das restrições logísticas no comércio global. Segundo a Covrig Analytics, o fechamento do Estreito de Ormuz reduziu cerca de 6% do fluxo mundial de açúcar, impactando a disponibilidade de produto refinado.
Ainda assim, o pano de fundo segue dominado pela expectativa de superávit global. A Czarnikow projeta excedente de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após superávit de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. Na mesma linha, a Green Pool Commodity Specialists estima saldo positivo de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e leve superávit de 156 mil toneladas no ciclo seguinte, enquanto a StoneX projeta excedente de 2,9 milhões de toneladas para 2025/26.

