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Bioenergia com captura e armazenamento de carbono

As cadeias produtivas do agro paulista se mobilizam para atender às determinações do Governo do Estado de São Paulo e continuar produzindo e escoando a produção para garantir o abastecimento de alimentos a população.
Foto: Ilustração (Crédito: Governo do Estado de SP)
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Há também estudos para aplicação de tecnologias de captura e armazenamento de carbono, conhecida como CCS (Carbon Capture and Storage).

Considerada já há algum tempo principalmente para as empresas de energia fóssil, como uma forma de reduzir a emissão de CO2 a partir dos combustíveis de petróleo, a tecnologia poderia ser aplicada também à produção de bioenergia (BECCS).

“A lógica é separar o CO2 que é produzido pela combustão de um combustível, e direcionar para alguma aplicação ou enterrá-lo, por exemplo, em algum reservatório”, explica Joaquim Seabra, doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos e professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp.

A ideia geral é retornar o carbono para onde ele estava estocado, embaixo da terra, e assim evitar que ele seja lançado na atmosfera.

Para Seabra, em um sistema que usa biomassa, a vantagem estratégica está no fato de que, para crescer, a biomassa usa o carbono presente na atmosfera para fazer fotossíntese.

“Nesse caso eu estou efetivamente retirando CO2 da atmosfera. Então, do ponto de vista climático, é uma grande contribuição”, destaca.

Outra vantagem da biomassa seria a facilidade de separação do CO2 no processo de fermentação.

“[Na produção de etanol] eu fermento o caldo da cana e, no processo de fermentação, eu tenho o CO2 como um coproduto. Ele sai junto com o etanol e praticamente puro. Então, não exige nenhum tipo de investimento sofisticado para separar e concentrar o CO2. Ele já está prontinho e pode ser direcionado para uma aplicação industrial ou ser direcionado de novo para debaixo da terra”, detalha o professor.

Embora o processo de captura de carbono no processo de fermentação seja menos custoso que a captura na combustão, ambos os processos ainda esbarram em custos financeiros e energéticos, e dependerão de incentivos para ganhar escala.

“Internacionalmente, a gente já tem iniciativas acontecendo. Mas para que isso ganhe escala é preciso que haja um comprometimento sério com as metas de mitigação de emissão. Muito possivelmente, nós iremos precisar da remuneração adequada do CO2”.

No Brasil, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) já prevê um bônus de até 20% sobre a Nota de Eficiência Energético-Ambiental quando houver comprovação de emissão negativa de gases de efeito estufa no ciclo de vida do biocombustível.

Na avaliação de Seabra, isso favorece economicamente a adoção da tecnologia e seria uma das formas de viabilizar a captura, mas ainda serão necessárias outras estratégias, como a valorização do mercado de carbono, por exemplo.

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

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