Recursos serão destinados para unidade de etanol de milho em Campo Novo do Parecis (MT), projeto orçado em R$ 2,07 bilhões
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 500 milhões à FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país e controlada pela americana Summit Agricultural Group. O recurso será usado na instalação de uma planta de etanol, orçada em R$ 2,07 bilhões.
A unidade, cuja construção foi anunciada em julho do ano passado, está sendo erguida em Campo Novo do Parecis (MT) e terá capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas de milho por ano, com produção anual de até 540 milhões de litros de etanol e 390 mil toneladas de grãos secos de destilaria, os DDG e DDGS, usados na indústria de ração animal.
A FS mantém a previsão de que a usina comece a operar em dezembro de 2026. A unidade deve gerar 182 empregos diretos e 323 indiretos. Na fase de obras, a expectativa é gerar 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Com a operação da quarta planta industrial, a FS atingirá uma capacidade total de 3,2 bilhões de litros de etanol e 2,6 milhões de toneladas de DDG por ano.
“Com isso, vamos nos tornar a segunda maior produtora de etanol do Brasil, ultrapassando a Raízen, que produz etanol de cana-de-açúcar. As duas maiores produtoras brasileiras de etanol serão ambas de etanol a partir de milho”, disse o diretor-presidente da FS, Rafael Abud.
Atualmente, a Inpasa é a maior produtora de etanol de milho do país e a segunda maior do mundo, com capacidade de produção de 6,2 bilhões de litros de etanol por ano. Com novas plantas em construção, a Inpasa espera ampliar a capacidade para 7,6 bilhões de litros por ano.
O financiamento à FS envolve recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem, voltada à produção de alimentos e biocombustíveis.
“Além de contribuir com o avanço da produção de etanol e a descarbonização da economia, é uma operação que impulsiona outros setores da indústria, uma vez que valores relevantes do projeto serão investidos em equipamentos nacionais”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.
De 2023 ao fim do primeiro trimestre deste ano, o banco aprovou R$ 15,6 bilhões em recursos para projetos na área de biocombustíveis, o que representa um aumento de 257% em relação ao volume aprovado entre 2019 e 2022.
O projeto da FS prevê ainda uma segunda fase, com expansão da capacidade de processamento para 2,4 milhões de toneladas de milho e produção de 1,08 bilhão de litros de etanol por ano. De acordo com Abud, a produção de etanol da planta vai atender tanto o crescimento da demanda no mercado brasileiro quanto o mercado internacional. No caso do DDG, o foco principal será abastecer o mercado nacional de nutrição animal.
Abud ressaltou que o novo financiamento está alinhado à estratégia de crescimento da companhia e mantém a FS em níveis de endividamento “adequados” para sustentar a sua expansão.
Entre 2023 e 2024, a companhia viu alavancagem disparar após um ciclo agressivo de expansão. A relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a 7,39 vezes no fim do primeiro trimestre da safra 2024/25.
Já no fim do terceiro trimestre da temporada atual (2025/26), em dezembro de 2025, a empresa tinha uma dívida líquida de R$ 9,51 bilhões, equivalente a 2,76 vezes o Ebitda. “A companhia segue comprometida com uma gestão financeira responsável, buscando equilibrar investimentos, geração de caixa e uma estrutura de capital saudável”, afirmou o executivo.
A FS tem outras três indústrias em Mato Grosso: em Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste e Sorriso. Nos nove primeiros meses da safra atual, a receita líquida da empresa somou R$ 9,83 bilhões, um crescimento de 29%. O lucro líquido cresceu 123,8%, para R$ 1,06 bilhão. A FS divulga os resultados financeiros do quarto trimestre da safra 2025/26 nesta segunda-feira, 15.
Em maio, a Amaggi comprou 40% de participação na FS. O negócio foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 28 de maio. O investimento na indústria de Campo Novo de Parecis não envolveu recursos da Amaggi.
| Cibelle Bouças



