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Preço do açúcar deve continuar preso nos atuais níveis nos próximos meses

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Demanda global ainda está mais fraca, enquanto entrada da safra brasileira aumenta a oferta

O preço do açúcar ainda não consegue encontrar uma direção firme para se movimentar, seja para cima, seja para baixo, dados os sinais ainda fracos da demanda global e uma oferta que está entrando agora no mercado vinda da colheira em andamento no Centro-Sul do Brasil.

Embora os analistas estejam revendo suas estimativas para o balanço entre oferta e demanda global, qualquer mudança nos fundamentos não deve ocorrer no curto prazo.

Na quinta-feira, 11, a Czarinkow – trading que vinha divulgando as projeções mais baixistas para o mercado – revisou sua estimativa de balanço global para o ciclo 2025/26 de um superávit amplo para um pequeno déficit de 100 mil toneladas.

Os ajustes foram feitos principalmente na estimativa para a produção brasileira, onde as usinas estão maximizando a produção de etanol para escapar dos baixos preços do açúcar.

A Czarnikow reduziu sua estimativa para a produção do Brasil para 39,5 milhões de toneladas, fruto de um mix projetado agora em 47%, e não mais de 48%, o que significa uma redução de 500 mil toneladas na oferta da commodity.

A trading também revisou para baixo sua estimativa para a produção do México, e prevê produções estáveis em outros países, como Índia, Tailândia e China.

Ainda que a agência climática dos Estados Unidos, a NOAA, tenha confirmado a formação do El Niño, com alta probabilidade de um evento forte ainda neste ano, o fenômeno não tende a impactar a colheita do Centro-Sul, que costuma terminar entre outubro e novembro. A configuração “forte” só deve ocorrer a partir de novembro, segundo a NOAA.

O impacto do El Niño pode ser mais relevante na Índia, mas o país ainda está em entressafra, e qualquer impacto do clima na produção só será sentido em menor fluxo de oferta ao mercado a partir de outubro.

Por outro lado, o consumo “permanece lento”, observou o analista Gerard Honer, que assinou uma análise publicada pela trading.

Ele atribuiu esse fenômeno à conscientização sobre o consumo do produto, ao impacto da inflação dos alimentos sobre o comportamento do consumidor, e ao avanço dos medicamentos emagrecedores que inibem o apetite.

Devido a esses fatores, a Czarnikow reduziu sua estimativa para o consumo global em 300 mil toneladas. Ainda assim, o volume total estimado de consumo representa um acréscimo de 1,1 milhão de toneladas ante a safra passada.

Entre os sinais de uma demanda global fraca estão os dados de exportação de açúcar do Brasil entre abril e maio, que resultaram em um aumento dos estoques locais de 23,8%, observou o analista Ricardo Sigalla, da StoneX, em relatório divulgado nesta quinta-feira.

Em suma, o cenário está mais apertado, mas ainda assim, “estável”, segundo a Czarnikow – para dissabor das usinas do Brasil, que não têm alternativa que não produzir etanol para tentar escapar do prejuízo.

Globo Rural| Camila Souza Ramos

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