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As plantações de cana-de-açúcar foram atingidas pelas fortes do mês de julho, especialmente no interior paulista. Agricultores prevêem diminuição na qualidade da matéria-prima, além da perda de peso e sacarose nas usinas. O gelo também afetou mudas nativas.

Em Jardinópolis a perda foi calculada em cerca de 20% em um canavial. Em Sertãozinho a terra ficou coberta de gelo onde já houve colheita. Também houve reflexos em Ribeirão Preto que registrou o dia mais frio (em 20 de julho) em quase duas décadas, com 1ºC.

A Associação dos Plantadores de Cana do Oeste de São Paulo está mapeando as regiões mais afetadas. O agrônomo André Bosch Volpe explica que as baixas temperaturas congelam e matam a planta por dentro, afetando diretamente a gema apical, que é o ponto responsável pelo crescimento da cana-de-açúcar.

“A cana continuaria crescendo a partir desse ponto, então dependendo do dano que ocorre, da intensidade da geada e do dano que ocorre na gema apical, essa cana pode chegar a morrer. Ela começa a deteriorar de cima para baixo, da ponta para o pé”, afirma.

Colher antes da hora o que foi afetado é a solução para que as usinas possam usar o que restou, mas, agora, a planta possui menos valor energético, segundo Volpe. Com isso, o preço das produções de açúcar e etanol pode aumentar.

“Isso, possivelmente, deve afetar o valor de açúcar e etanol para mais; talvez para o fim da safra. A hora que entrar o fim da safra, a gente vai conseguir quantificar, de fato, quanto isso afetou em quebra de produção e, com certeza, vai começar a refletir em preço”, diz.

Nesta safra a produção estimada em mais de 270 milhões de toneladas deverá ficar inferior a 260 milhões de toneladas. Os efeitos devem ser notados também na próxima safra. Com a geada o manejo das lavouras será mais complexo. A brota na área já colhida, e que foi afetada pela geada, vai passar por uma poda, e voltará a brotar, mas com atraso em relação ao processo vegetativo esperado anteriormente.

Isso afeta não só a produtividade, mas também o planejamento da colheita de 2022/23. Se o produtor colher antes, perde em produtividade, devido ao ciclo da planta. Se retardar, fica com manejo e custos mais complicados.

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