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O fim da produção de carros à combustão virou uma meta para a União Europeia junto a montadoras. D durante a  COP26, conferência do clima da ONU, realizada em novembro, Ford, Mercedes-Benz, GM e Volvo, com o apoio da União Europeia, declaram que vão encerrar a produção desse tipo de motor até 2040, apostando em uma expansão da frota de carros elétricos.

No entanto, Alemanha, China, Estados Unidos, Japão e Índia não assinaram o compromisso, nem as montadoras Renault-Nissan-Mitsubishi, Toyota e Volkswagen. A divergência está, em parte, relacionada com a geografia.

Masahiro Inoue, CEO da Toyota para América Latina e Caribe, afirmou em entrevista para a Exame Invest que países em que é possível plantar cana-de-açúcar, o etanol já é a opção de carbono neutro.

“Tentamos plantar cana-de-açúcar no Japão, mas a produtividade era baixa. Há uma faixa de latitude onde é possível produzir etanol em larga escala que abrange, principalmente, Brasil, Índia e parte da África. Nessas regiões, acabar com o motor a combustão talvez não seja inteligente. Para o Brasil, carbono neutro é etanol. Não precisa abandonar a tecnologia”, disse o executivo em entrevista.

Os motores flex fuel, que aceitam tanto gasolina quanto etanol, devem continuar fazendo parte do portfólio da Toyota por um bom tempo. Masahiro não vê o preço dos carros elétricos baixando tão cedo, nem mesmo em 20 ou 30 anos. A Toyota terá veículos a bateria, mas vai concentrar na Lexxus, marca concorrente das linhas mais luxuosas da Mercedes e da BMW.

Na Europa, porém, a Toyota se comprometeu em vender apenas carros com emissão zero até 2035, cinco anos antes do fim do motor a combustão proposto pelas concorrentes. Isso não significa vender apenas elétricos, mas é improvável que os consumidores europeus aceitem algo diferente.

De acordo com reportagem da Exame, até setembro deste ano, mais de 800 mil veículos elétricos foram registrados na Europa, praticamente o dobro do registrado em 2020.

Há forte resistência dos europeus em relação aos combustíveis fósseis, principalmente após o escândalo da Volkswagen, que foi pega fraudando os dados de emissões de seus veículos a diesel.

Carros elétricos ainda são caros 

A Toyota desenvolveu carro com motor híbrido, que unem combustão e bateria, ainda em 1998, com o lançamento do Prius no Japão. Essa tecnologia, agora aliada ao motor flex fuel, é a grande aposta da Toyota na transição para mobilidade de emissão zero.

No Brasil, a linha Corolla já é vendida com opção apenas flex ou híbrido. A diferença de preço é de 5%.“Em dois anos, esse valor maior se paga com a economia de combustível”, disse Masahiro em entrevista a Exame Invest.

Os gastos com combustível é que seriam um problema para a estratégia da Toyota, pois é mais barato carregar a bateria de um Renault Zoe, elétrico que custa cerca de R$ 200 mil, do que encher o tanque de um Corolla Cross Hybrid, que custa o mesmo valor, embora seja um carro de categoria muito superior ao Renault Zoe.

Na atual faixa de preço dos carros vendidos no Brasil, o elétrico da montadora francesa precisa custar a metade, se quiser fazer frente a outros compactos premium a combustão, como Hyundai HB20, Volkswagen Polo, Peugeot 208 ou Toyota Yaris, todos na faixa dos 100 mil reais.

De qualquer forma, se um elétrico custar o mesmo que um carro a combustão, do ponto de vista financeiro, fará pouco sentido optar pelo motor tradicional. Para Masahiro, no entanto, a questão extrapola a lei do mercado competitivo. O executivo defende uma abordagem mais ampla do problema, que considere as ações que o Brasil precisa tomar para descarbonizar a mobilidade.

“O governo precisa realocar subsídios para baratear o etanol. Se todos os veículos rodarem com etanol, a neutralidade em carbono já será atingida. Se pensarmos não apenas no carro, mas no carro e na energia, o Brasil é o país mais avançado do mundo”, disse o executivo da Toyota.

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