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Existem argumentos para haja uma queda nos preços da commodities em 2022. Isso, se não houverem mudanças significativas sócio-políticas – como recrudescimento da pandemia da Covid-19 – e as condições climáticas forem positivas. É o que acredita Julio Maria M. Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento.

“As taxas de juros devem subir pelo mundo afora, visando controlar e reduzir a inflação. Com isto a demanda de consumo e investimentos tende a cair, o que tira o suporte para preços altos”, afirma em análise.

Além disso, o desemprego global é alto e estrutural e não serão os auxílios governamentais para a população carente que vão resolver este problema. Este só será resolvido por governos responsáveis no médio e longo prazo, de acordo com Borges.

Outro argumento baixista para os preços é a questão de saúde criada pelo Covid-19 e suas variantes. “Esta questão está sob controle e ainda não está resolvida. Esta condição atrapalha a cadeia de suprimentos , que vem melhorando, e prejudica a retomada da demanda e do crescimento econômico”, diz.

Os preços altos das commodities verificados recentemente estimulam a oferta e, portanto, geram pressão de baixa para preços ao longo do tempo, de acordo com o analista.

O que vem acontecendo com os preços das commodities?

Petróleo: Em novembro, o preço do petróleo WTI passou de seu recorde de 83 US$/barril para um preço oscilando em torno de 71 US$/barril. Queda de 15%. O controle da oferta pela OPEP+ é um suporte para preços duvidoso no médio prazo e não representa déficit estrutural de oferta.

Gás natural: A restrição de oferta circunstancial deste produto foi um dos gatilhos que fez o preço da energia disparar no mundo a partir de Setembro/21. Desde Outubro/21 até agora o preço do GN passou de seu recorde de 6,5 US$/miBTU para preços oscilando em torno de 3,6  US$/miBTU. Queda de 45%. A regularização da oferta que vem ocorrendo explica esta queda de preços e justifica sua manutenção nos níveis atuais.

Açúcar: O preço recorde alcançado no final de Agosto/21 foi de 20,85 ¢/lb. Atualmente está oscilando em torno de 19,30 ¢/lb. Queda de 8%. As boas safras previstas para o Hemisfério Norte, que se iniciaram em outubro de 2021, correm a favor de preços mais baixos.

EM 2022, quem ganha?

De acordo com Borges, existem bons argumentos para apostar em queda de preços de commodities em 2022, em um mundo sem catástrofes climáticas e revoluções sócio-políticas que afetem demanda e oferta de maneira brusca.

“Se acontecer queda de preços de commodities, a inflação mundial será reduzida e a necessidade de juros altos será menor. Ganha o consumidor. O produtor ganha na redução dos preços dos insumos e das matérias-primas”, afirma.

Por outro lado, o produtor perde receita. “Isto não significa necessariamente que o produtor vai operar com prejuízo, até porque os preços atuais estão bem acima do custo econômico de produção e distribuição e existe um espaço razoável para a queda de preços sem prejudicar o resultado econômico do negócio”, adiciona Borges.

No Brasil ele destaca uma variável relevante que afeta os mercados: a política e as eleições majoritárias em 2022. “Neste caso tudo pode acontecer, em particular com a taxa de câmbio. Como já se disse que “Deus é brasileiro” vamos esperar o melhor”, conclui o analista e sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento.

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