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A grande expectativa da COP26 é que se chegue a uma regulamentação do mercado global de carbono. Mas a grande expectativa, de acordo com Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, é para as relações bilaterais ou multilaterais de crédito de carbono.

Segundo Pogetti, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a viabilização de negociações bilaterais de créditos de carbono pode beneficiar sistemas de negociação que já existem em níveis nacionais e que hoje favorecem produtores de biocombustíveis.

O mercado já estabelecido no Brasil é o RenovaBio, no qual produtores de biocombustíveis emitem créditos de acordo com a pegada de carbono de seu produto.

Também há outros no exterior a exemplo do Low Carbon Fuel Standard (LCFS), na California, que permite que produtores de biocombustíveis com baixa pegada de carbono vendam seus créditos, palco também de atuação de muitos players brasileiros.

Para Pogetti, os Créditos de Descarbonização (CBios) poderiam ser inseridos em um mercado mais abrangente de carbono, e ainda serem usados como exemplo para a criação de outros mercados setoriais. “É uma semente bem organizada para ser copiada por outras atividades que tenham programas de sequestro de carbono”, disse.

Ainda que não haja um avanço substancial de regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que trata do mercado global de carbono, o dirigente defende que o etanol continuará sendo uma das alternativas na transição energética.

Sua tese é que o biocombustível fará parte de um portfólio de soluções para a descarbonização que dependerá do contexto de cada país.

“O problema é gigantesco. O aquecimento é um problema global. Não tem um país, um produto sozinho ou uma iniciativa isolada que dê conta disso. Por isso, todo o esforço ou toda a contribuição é muito bem-vinda”, disse em entrevista ao Valor.

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