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Cenário é complicado para as usinas, afirma presidente da Raízen

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Muitas usinas do Centro-Sul do país terão problemas de caixa por causa da forte queda da demanda doméstica por combustíveis em decorrência da queda da circulação de veículos em razão da pandemia da covid-19, alerta Ricardo Musa, presidente da Raízen.

Em uma live realizada pelo Valor Economico Mussa afirmou que, independentemente de a empresa estar bem preparada para atravessar a crise e ter uma gestão de risco eficiente, o cenário é muito difícil. Isso, mesmo com as vendas de combustíveis registrando um leve aumento nas últimas semanas, apesar das medidas de isolamento da população.

O presidente da empresa não comemorou esse aumento, uma vez que é um indicativo de que as medidas de isolamento não estão sendo respeitadas, mas também deixou claro que a reação das vendas, modesta, não é capaz de mudar o cenário de dificuldades.

Nesse contexto, disse que a Raízen seguirá com sua estratégia de vender o menor volume possível de etanol neste início de safra e carregar o maior volume possível para a entressafra, quando os preços deverão estar melhores.

O executivo reconheceu que a crise poderá gerar oportunidades de aquisição de usinas para os grupos em melhor situação financeira que tiverem menos problemas de caixa, mas reiterou que esse não é o foco da Raízen, que tem priorizado avançar no segmento com investimentos em canaviais e ganhos de produtividade. Investimentos em usinas da etanol de milho também não estão no radar da companhia.

Mussa também afirmou que as exportações de etanol continuam a ser uma boa saída e lembrou que os embarques de açúcar também foram um alento para as usinas que conseguiram aproveitar a valorização do dólar em relação ao real e antecipar negócios nessa frente.

Para ele, embora as cotações do açúcar tenham recuado no último mês, o viés pós-pandemia ainda será de alta de preços no que depender dos fundamentos de oferta e demanda. O presidente da Raízen não arrisca estimar um prazo para a normalização das atividades econômicas no país, mas disse que certamente o ritmo da retomada será mais lento do que o observado atualmente na China, por exemplo.

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