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Cocal amplia moagem para 8,6 milhões de t, mas lucro cai 48,5% na safra 2025/26

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Companhia registra recuperação da produtividade agrícola, amplia a produção de etanol e conclui expansão com aquisição de duas usinas, enquanto receita, EBITDA e lucro recuam no ciclo

A Cocal encerrou a safra 2025/26 com moagem recorde de 8,639 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 4,4% superior ao registrado na safra anterior, impulsionado pela recuperação da produtividade agrícola e por condições climáticas mais favoráveis. Apesar do avanço operacional, a companhia registrou queda na receita, no EBITDA e no lucro líquido, refletindo principalmente o menor desempenho do açúcar ao longo do ciclo.

No acumulado da safra, o desempenho operacional, divulgado pela companhia no final de junho, foi sustentado principalmente pela evolução dos indicadores agrícolas. A produtividade da cana própria (TCH) atingiu 72,3 toneladas por hectare, alta de 4,7% em relação à safra 2024/25. Já o ATR recuou 2,7%, para 131 kg por tonelada de cana, enquanto o TAH (toneladas de açúcar por hectare) avançou 1,9%, alcançando 9,5 t/ha.

Segundo a companhia, o desempenho reflete a manutenção dos investimentos em renovação e tratos do canavial, com foco em manejo e adoção de novas tecnologias, além de condições climáticas mais favoráveis durante o desenvolvimento da cultura.

Na indústria, a Cocal reduziu a participação do açúcar no mix de produção de 64% para 61% e direcionou maior parcela da matéria-prima para o etanol a partir do terceiro trimestre da safra. Com isso, a produção de açúcar caiu 4,1%, totalizando 653 mil toneladas, enquanto a produção de etanol anidro cresceu 7,2%, para 182 mil m³, e a de etanol hidratado avançou 1,4%, alcançando 96 mil m³. A exportação de energia elétrica também aumentou 3,7%, somando 381 mil MWh.

Na mensagem da administração, o diretor-geral da companhia, Décio Carbonari de Almeida, afirmou que a safra 2025/26 representa mais um capítulo relevante na trajetória de crescimento sustentável da Cocal.

Segundo ele, o desempenho operacional da safra reflete a maturidade da gestão agrícola e industrial da companhia. O executivo afirmou que a recuperação consistente da produtividade da cana-de-açúcar foi resultado do manejo técnico rigoroso e da aplicação de novas tecnologias no campo. Mesmo diante de um cenário marcado pela volatilidade dos preços das commodities e por pressões sobre a qualidade da matéria-prima, acrescentou que a eficiência industrial permitiu otimizar o mix de produção e preservar níveis saudáveis de rentabilidade.

“Nossa eficiência industrial nos permitiu otimizar o mix de produção e preservar níveis saudáveis de rentabilidade, evidenciando a solidez financeira e a agilidade estratégica da Companhia”, afirmou.

Biometano, expansão e crescimento

Além dos resultados operacionais, a safra foi marcada por avanços estratégicos na agenda de valorização de resíduos e descarbonização. A Cocal inaugurou sua segunda planta de biometano, na unidade de Paraguaçu Paulista (SP), com capacidade de produção de 60 mil m³ por dia. Atualmente, a empresa opera 57 veículos e implementos movidos a biometano, incluindo toda a frota utilizada no transporte de vinhaça, iniciativa que substituiu aproximadamente 1,1 milhão de litros de diesel durante a safra.

Os investimentos em biometano e na ampliação da BioRota fazem parte da estratégia da companhia de ampliar a captura de valor da biomassa e expandir o uso de combustíveis renováveis em suas operações.

A companhia também ampliou o projeto BioRota, desenvolvido em parceria com a Copersucar, que já conta com mais de 70 caminhões abastecidos com biometano no transporte de açúcar até o Porto de Santos. Segundo a administração, a iniciativa reforça a competitividade do biometano como alternativa ao diesel nas operações logísticas rodoviárias.

Outro marco do período foi a conclusão da aquisição das unidades Rio Brilhante e Passa Tempo, no Mato Grosso do Sul. Com investimento aproximado de R$ 1,5 bilhão, a operação elevou a capacidade anual de moagem da companhia de 10,3 milhões para mais de 16 milhões de toneladas de cana por safra, ampliando sua presença geográfica e fortalecendo sua posição entre os principais grupos do setor sucroenergético brasileiro. Segundo a administração, a aquisição também permitirá levar o modelo de eficiência e inovação da companhia para novas regiões.

Ao comentar as perspectivas para a safra 2026/27, Carbonari afirmou que a companhia projeta um ambiente de maior exigência técnica e comercial, mas disse que está preparada para o novo ciclo.

Segundo o executivo, as reestruturações conduzidas e a maturidade da gestão proporcionam à empresa a solidez necessária para atuar em cenários mais complexos com agilidade e resiliência.”Iniciamos o novo ciclo com o compromisso renovado de proteger nossas margens, capturar eficiências e consolidar uma Companhia cada vez mais robusta perante os desafios do mercado”, escreveu.

Receita estável, queda do EBITDA e do lucro

Apesar do crescimento operacional, os resultados financeiros foram impactados principalmente pelo desempenho do açúcar. A receita líquida totalizou R$ 2,576 bilhões, queda de 0,9% em relação à safra anterior. Segundo a companhia, o crescimento das receitas com etanol anidro, energia elétrica e outros produtos, além da melhora dos preços médios do etanol, compensou apenas parcialmente a redução da receita obtida com açúcar, afetada pela queda do volume comercializado e dos preços médios de venda.

O EBITDA ajustado somou R$ 1,366 bilhão, retração de 10,6%, enquanto a margem caiu de 58,8% para 53%. De acordo com a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pela redução do faturamento do açúcar, parcialmente compensada pelo aumento das receitas provenientes de etanol, energia elétrica e outros produtos. Também contribuíram para o desempenho o aumento dos custos associados aos novos produtos, em função da nova planta de biogás e do maior volume de vendas da linha “Outros produtos”, além da elevação das despesas operacionais, especialmente com fretes, em uma comparação afetada ainda pelo reconhecimento de receita extraordinária na safra anterior decorrente da reversão de provisão de crédito tributário.

O lucro líquido encerrou a safra em R$ 173,3 milhões, redução de 48,5%, com margem líquida de 6,7%. A dívida líquida ajustada atingiu R$ 3,695 bilhões ao final do exercício, elevando o índice de alavancagem para 2,70 vezes o EBITDA ajustado, frente a 1,05 vez registrado na safra anterior. Segundo a companhia, parte desse aumento está relacionada à aquisição das unidades Rio Brilhante e Passa Tempo, concluída durante o exercício.

Natália Cherubin para RPAnews

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