Conjuntura – Cooperativa de crédito: uma aliada do produtor

Presentes em 95% dos municípios brasileiros, as cooperativas de crédito são formadas pela reunião de pessoas que têm propósitos e necessidades em comum, visando o desenvolvimento regional das comunidades onde atuam

Alisson Henrique

Cooperativas de crédito são instituições financeiras formadas pela associação de pessoas com propósitos e necessidades em comum e que tem como objetivo prestar serviços financeiros exclusivamente aos seus associados. Nelas, os associados tem a sua disposição os principais serviços oferecidos pelos bancos como conta corrente, aplicações financeiras, cartão de crédito, empréstimos e financiamentos. O cooperativismo não visa lucro e os direitos e deveres de todos são iguais, enquanto a adesão é livre e voluntária. Quem faz parte investe no negócio, gerando ativos para que elas possam prestar serviços financeiros a todos os demais associados. Ao mesmo tempo, as cooperativas de crédito incentivam o desenvolvimento econômico e social nos âmbitos local e regional.

“Diferente dos bancos tradicionais, os associados são os donos da cooperativa – e não os investidores – e a tomada de decisões, assim como distribuição dos resultados, são feitas de maneira democrática e igualitária em assembleias realizadas ao longo do ano. Não levando em conta, portanto, a participação no capital de cada sócio, a exemplo dos bancos”, revela Antonio Sidinei Senger, superintendente de Crédito Rural e Recursos Direcionados do Banco Cooperativo Sicredi.

“Em uma cooperativa, o correntista é chamado de cooperado porque também é dono do empreendimento. Por isso, ele tem acesso a produtos e serviços financeiros com juros e tarifas menores, além de receber um tratamento personalizado. A partir do momento que é feita a integralização das cotas e aberta uma conta, a pessoa torna-se, além cooperado (sócia), usuário, visto que utiliza os produtos e serviços oferecidos”, explica Henrique Castilhano Vilares, presidente do Sicoob.

Segundo Henrique Castilhano Vilares, presidente do Sicoob, em uma cooperativa o correntista é chamado de cooperado porque também é dono do empreendimento. Por isso, ele tem acesso a produtos e serviços financeiros com juros e tarifas menores, além de receber um tratamento personalizado

As cooperativas de crédito são autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central, ao contrário dos outros ramos do cooperativismo, como transporte, e são dirigidas por pessoas eleitas pelos próprios associados. Elas contribuem para o desenvolvimento local por meio da retenção e aplicação dos recursos de poupança e renda no próprio município, promovendo a divisão dos resultados financeiros ao final do exercício. Além disso, os cooperados participam das decisões nas assembleias e podem ser eleitos para exercer a função de gestor administrativo na instituição.

Por meio da cooperativa de crédito, o cidadão tem a oportunidade de obter atendimento personalizado para suas necessidades. O resultado positivo é conhecido como sobra e é repartido entre os cooperados em proporção com as operações que cada associado realiza com a cooperativa. Assim, os ganhos voltam para a comunidade dos cooperados. No entanto, assim como partilha das sobras, o associado também está sujeito a participar do rateio de eventuais perdas, em ambos os casos na proporção dos serviços usufruídos.

RELACIONAMENTO PERSONALIZADO

O produtor de cana, Ismael Perina Junior, conta que faz parte da cooperativa de crédito desde 1980. “Uso em 99% das minhas necessidades financeiras. Minha Cooperativa é a Sicoob Coopecredi, da qual inclusive já fui presidente e hoje sou diretor”, conta. Segundo ele, os benefícios são inúmeros. Ele destaca que sempre tem financiamento de custeio e investimento na hora que necessita, com taxas iguais e por vezes até melhores que as do mercado; cartões de crédito com custos menores – dependendo da movimentação sem custo – com os mesmos ou mais benefícios que os outros; sistema operacional extremamente atualizado, fazendo com que a maioria das movimentações sejam feitas via internet ou celular, facilitando a operação; tarifas isentas de conta corrente e juros do cheque especial menor do que dos concorrentes; e juros mais baixos do que das outras instituições.

“Ao final do exercício, com resultados favoráveis, ainda recebo sobras caso os resultados tenham sido positivos. E isso com fácil acesso, pois o relacionamento é muito mais próximo.” Perina salienta que o rigor na concessão de crédito é semelhante ao dos bancos e o usuário tem que se adaptar a esta situação. “Pegou o jeito, vai embora. Provavelmente não vai mais querer saber de banco”, adiciona.

Entre os vários benefícios, Senger destaca que a cooperativa desenvolve um relacionamento mais próximo com o cooperado, o que faz com que o perfil e as necessidades sejam identificadas mais rapidamente. “Assim é possível disponibilizar produtos e serviços mais adequados a cada realidade, viabilizando um modelo econômico mais inclusivo e alinhado aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Além disso, os associados participam das decisões das suas cooperativas e, ao final de cada ano, os resultados positivos são distribuídos para os associados na proporção que eles geram receita para a instituição, por meio da utilização de produtos e serviços, formando um ciclo virtuoso.”

As cooperativas de crédito estão nos locais onde há necessidade da comunidade, gerando uma capilaridade que permite que a oferta de produtos e serviços financeiros chegue a municípios de regiões mais distantes, com pouca presença do sistema bancário convencional, além de serem cada vez mais atuantes em nichos como o crédito rural e o financiamento a pequenas empresas. Segundo Vilares, ao fazer parte de uma cooperativa, o cooperado tem a sua disposição todos os produtos e serviços financeiros oferecidos por uma organização onde todos os clientes/cooperados também são os donos.

Ismael Perina: “Ao final do exercício, com resultados favoráveis, ainda recebo sobras, caso os resultados tenham sido positivos. E isso com fácil acesso, pois o relacionamento é muito mais próximo”

“Outra vantagem é que uma cooperativa visa o desenvolvimento regional das comunidades onde atuam, e não o lucro. As cooperativas investem seus recursos no mercado onde estão inseridas e dão tratamento igual a cada cooperado. Bem diferente dos bancos, que priorizam grandes projetos e grandes clientes, e estão concentrados nos maiores centros urbanos. Ou seja, os recursos das cooperativas retornam as regiões onde elas atuam, proporcionando o desenvolvimento social e econômico”, pontua.

Para se ter uma ideia, as cooperativas financeiras estão presentes em 95% dos municípios brasileiros, sendo que em 564 deles a cooperativa é a única forma de inclusão financeira disponível na região. “Já em 276 municípios do País, o Sicoob é única instituição financeira da cidade. Além de oferecer produtos e serviços com taxas e juros mais acessíveis, o Sicoob oferece um atendimento diferenciado onde o cooperado é sócio do negócio, pois ele participa ativamente das decisões da cooperativa e recebe uma parte das sobras ao final de cada exercício”, acrescenta Vilares.

Em média, as tarifas do Sicoob se encontram abaixo das praticadas pelo mercado e são oferecidas a todos os cooperados – sem distinção de perfil ou volume de investimentos e movimentação financeira. “Em maio de 2018, o Sicoob praticou taxas de juros menores no cheque especial, crédito pessoal e crédito rotativo do cartão em comparação com bancos tradicionais. No cheque especial, a taxa média dos cinco maiores bancos do país ficou em 12,5% ao mês, enquanto no Sicoob foi de 6,2% ao mês. O cartão de crédito rotativo dos bancos cobrou juros de 12,33% ao mês, no Sicoob, a taxa ficou em 7,9% ao mês. Já no crédito pessoal, as cooperativas cobraram 2,14% ao mês, enquanto os bancos, 6,57%. O Sicoob soma hoje 4,1 milhões de cooperados”, revela.

O superintendente de Crédito Rural e Recursos Direcionados do Banco Cooperativo Sicredi conta que o relacionamento próximo e a atenção com a concessão de crédito consciente possibilitam que, no geral, as condições sejam mais vantajosas para os associados, com exceção nos programas/linhas de crédito cujas condições são reguladas pelo Governo Federal. Ele explica que hoje o Sicredi possui 3,8 milhões de associados que exercem um papel de dono do negócio, em 22 estados e no Distrito Federal. “O Sicredi oferece aos seus associados mais de 300 produtos e serviços financeiros, como conta corrente, conta digital, investimentos, empréstimos e financiamentos, cartão de crédito e débito, previdência, consórcios, seguros, além de facilidades como caixas eletrônicos e serviços pela internet”, relata.

Produtos, serviços e segurança

Os especialistas no assunto contam que a análise da concessão de crédito irá seguir os critérios de avaliação do perfil dos associados para que o valor esteja dentro da sua capacidade de pagamento, buscando sempre conceder o crédito consciente, prestando consultoria aos associados para que eles possam contratar a solução mais adequada.

De acordo com Senger, o pagamento acontece da mesma maneira das instituições financeiras tradicionais, com condições acordadas na hora da concessão. “Hoje no Sicredi registramos uma taxa de inadimplência abaixo da média de mercado e isso é resultado do relacionamento próximo ao associado, que também é dono do negócio. É justamente essa relação que possibilita que as cooperativas ofereçam taxas adequadas, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento regional”, conta.

Vilares, presidente do Sicoob, explica que hoje a empresa oferece todos os produtos e serviços de um banco tradicional. Conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outros. “Para o produtor rural, o Sicoob oferece o cartão BNDES Agro, que pode ser utilizado para financiar a compra de equipamentos e serviços disponibilizados no portal do BNDES. Em 2018, o Sicoob está aumentando a plataforma de investimentos para o cooperado, oferecendo acesso à compra de títulos do Tesouro Nacional através do Tesouro Direto e disponibilizando novos fundos: renda fixa, ações e multimercado. Essas eram demandas muito esperadas e que tem objetivo de agregar valor à oferta de produtos e serviços”, conta.

Outra solicitação esperada é a plataforma de câmbio, que terá o lançamento ainda em 2018, permitindo ao cooperado da empresa a realização de operações de câmbio e comércio exterior (importação, exportação, ACC, ACE, Finimp, transferências, cartão pré-pago e moedas em espécie).

Senger lembra que para a segurança dos associados/clientes, os depósitos em cooperativas de crédito têm a proteção do FGCoop (Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito). “Esse fundo garante os depósitos e os créditos mantidos nas cooperativas singulares de crédito e nos bancos cooperativos em caso de intervenção ou liquidação extrajudicial dessas instituições. Atualmente, o valor limite dessa proteção é o mesmo em vigor para os depositantes dos bancos, até R$ 250 mil”, conclui.

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