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Coruripe registra lucro de R$ 321 milhões na safra 2025/26 até novembro com avanço de eficiência

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Resultad da Coruripe foi sustentado por maior eficiência industrial, preços mais altos de açúcar e etanol e gestão comercial com elevada participação fixada na safra 2025/26.

A Usina Coruripe encerrou o acumulado da safra 2025/26 até novembro com lucro líquido de R$ 321,1 milhões, revertendo o prejuízo registrado anteriormente no ciclo e evidenciando o impacto da sazonalidade característica do setor sucroenergético sobre os resultados financeiros. O desempenho foi sustentado por maior eficiência industrial, preços mais elevados de açúcar e etanol e uma estratégia comercial com elevada participação já fixada. Os dados constam do relatório operacional-financeiro da companhia referente ao mês de novembro de 2025.

No campo, a moagem acumulada atingiu 12,45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 11% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram processadas 13,99 milhões de toneladas. A retração foi consequência de condições climáticas mais restritivas, que afetaram a disponibilidade de matéria-prima em toda a região onde a empresa atua. Ainda assim, a Coruripe conseguiu ampliar a moagem de cana própria, que avançou 5,2%, somando 4,98 milhões de toneladas. Já o volume oriundo de fornecedores recuou 19,3%, totalizando 7,47 milhões de toneladas. Os indicadores agrícolas refletiram o estresse climático: o ATR médio acumulado caiu 1,4%, para 136,27 kg por tonelada de cana, enquanto o TCH recuou 7,9%, para 70,89 toneladas por hectare. O ATR por hectare somou 9.660 kg, queda de 9,2% frente ao ciclo anterior.

Na indústria, a companhia registrou um comportamento mais resiliente. A eficiência industrial evoluiu de 87,82% para 88,52%, indicando estabilidade operacional e capacidade de extração mais elevada mesmo em ambiente de menor oferta de cana. A produção de açúcar equivalente somou 33,2 milhões de sacas de 50 kg, retração de 12,7% sobre o acumulado anterior. Já o açúcar total produzido alcançou 21,83 milhões de sacas, queda de 4,1% na comparação anual. A produção de etanol totalizou 318,45 mil metros cúbicos, recuo de 27,1%, sendo 162,76 mil metros cúbicos de anidro e 155,70 mil metros cúbicos de hidratado. A geração de energia elétrica a partir da biomassa atingiu 587,4 mil MWh, queda de 10,7% em relação ao mesmo período da safra passada.

No mercado, os preços colaboraram para mitigar parte dos efeitos da menor produção física. O açúcar VHP registrou preço médio bruto de R$ 2.512 por tonelada, alta de 6,3% em relação ao ciclo anterior. O açúcar cristal foi negociado a R$ 133,13 por saca, leve retração na comparação anual. Já o etanol total alcançou preço médio de R$ 3.224 por metro cúbico, avanço de 12,3%, refletindo a demanda firme no mercado doméstico. A energia elétrica foi comercializada a um preço médio de R$ 221,20 por MWh, alta de 10,7%.

A receita bruta consolidada somou R$ 3,04 bilhões no acumulado da safra até novembro, retração de 5,5% frente aos R$ 3,21 bilhões registrados no mesmo período anterior. O faturamento com açúcar representou R$ 2,04 bilhões, queda de 3,4%, enquanto o etanol totalizou R$ 810 milhões, redução de 9,1%. A receita com energia elétrica permaneceu praticamente estável em R$ 75,2 milhões. A companhia manteve sua estratégia de proteção comercial, com 85% do açúcar VHP da safra atual fixado a um preço médio de 19,72 centavos de dólar por libra-peso, o que contribuiu para previsibilidade de margens.

O EBITDA ajustado atingiu R$ 1,061 bilhão, com margem de 36,4%, ligeiramente acima do resultado observado no mesmo período anterior, quando o indicador foi de R$ 1,048 bilhão. A margem por açúcar equivalente foi de R$ 32,43 por saca, ante R$ 33,36 por saca na safra passada. O resultado líquido consolidado, por sua vez, foi positivo em R$ 321,1 milhões, ante lucro de R$ 598,4 milhões no acumulado até novembro da safra anterior.

Do ponto de vista financeiro, a dívida líquida encerrou novembro em R$ 3,75 bilhões, frente a uma dívida bruta de R$ 4,27 bilhões. A estrutura segue majoritariamente indexada ao CDI, que responde por 78% do total. Os bancos comerciais concentram 68% das obrigações financeiras, enquanto o mercado de capitais representa 23% e os bancos de fomento, 9%. A companhia também estruturou uma linha de financiamento ESG de R$ 550 milhões com instituições internacionais, reforçando sua agenda ambiental, social e de governança.

No investimento operacional, o CAPEX acumulado somou R$ 803,6 milhões, com foco em plantio, tratos culturais, manutenção de entressafra e melhoria contínua do parque industrial. A empresa destaca ainda os ganhos logísticos proporcionados pelo terminal rodoferroviário próprio em Iturama (MG), que completa seu terceiro ano de operação e apoia o escoamento da produção destinada à exportação.

Combinando disciplina comercial, controle de custos e resiliência operacional, a Coruripe conseguiu atravessar um contexto agrícola mais restritivo com desempenho financeiro sólido. A companhia reforça que a sazonalidade permanece como elemento determinante na leitura dos resultados do setor e segue priorizando a sustentabilidade de longo prazo do negócio.

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