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Coruripe enfrenta safra desafiadora e registra queda de 17,5% na moagem até junho

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A Coruripe apresentou recuo nos principais indicadores operacionais no acumulado da safra 2025/26 até o mês de junho, em comparação ao mesmo período da safra anterior (2024/25). A moagem acumulada atingiu 4,17 milhões de toneladas, queda de 17,5% ante as 5,05 milhões de toneladas processadas até junho de 2024. Os números foram divulgados no Relatório Operacional-Financeiro divulgado na semana passada.

A produtividade agrícola também recuou. O TCH (toneladas de cana por hectare) caiu de 89,11 t/ha para 77,44 t/ha (-13,1%), enquanto o ATR médio da cana passou de 124,17 kg/t para 120,70 kg/t (-2,8%). A redução no acúmulo de açúcares por hectare também foi significativa: de 11.064 kg/ha para 9.348 kg/ha (-15,5%).

Na parte industrial, a produção de açúcar equivalente caiu 19,5%, totalizando 9,8 milhões de sacas contra 12,2 milhões na safra anterior. A produção total de etanol chegou a 87,9 mil m³, queda expressiva de 35,3%. A geração de energia elétrica também recuou, passando de 239,6 mil MWh para 206,3 mil MWh (-13,9%).

Apesar do cenário adverso em volumes, a eficiência industrial apresentou melhora, passando de 88,73% para 89,66%. Já no mercado, o destaque ficou por conta dos preços do etanol, que registraram aumento: o etanol anidro subiu 16,7% (de R$ 2.742,88 para R$ 3.201,42/m³), e o hidratado, 15,6% (de R$ 2.776,10 para R$ 3.210,20/m³).

O faturamento bruto acumulado da safra alcançou R$ 933,6 milhões, crescimento de 1,7% sobre o mesmo período do ciclo anterior. O EBITDA ajustado ficou em R$ 284,4 milhões, com alta de 11%, mas o resultado líquido foi negativo em R$ 142,3 milhões, revertendo o lucro de R$ 564,7 milhões registrado até junho da safra passada. A dívida líquida da companhia cresceu 8,9%, totalizando R$ 3,84 bilhões, enquanto a dívida líquida ajustada (considerando estoques e caixa) foi a R$ 3,61 bilhões, um aumento de 14,7%.

Apesar do crescimento da receita bruta e do EBITDA ajustado, a empresa sofreu impacto de despesas financeiras líquidas muito maiores, saltando de R$ 5,4 milhões negativos em 2024 para R$ 361,1 milhões negativos em 2025 — um aumento de mais de 6.500%. A principal razão foi o resultado negativo com derivativos cambiais, que saiu de R$ +175 milhões para R$ -136 milhões.

A variação cambial, por sua vez, trouxe efeito positivo de R$ 89,9 milhões, ajudando a amenizar o impacto do endividamento em dólar. A dívida bruta consolidada da companhia alcançou R$ 4,51 bilhões, com crescimento de 7,9%, enquanto a dívida líquida ajustada (já descontados caixa e estoques) chegou a R$ 3,61 bilhões (+14,7%).

Adiamento da construção na nova unidade

Na semana passada, a companhia informou que adiou a construção de uma nova unidade em Mato Grosso do Sul. A nova etapa de expansão previa a instalação da planta no município de Paranaíba, a 408 km de Campo Grande, e outra na cidade de União de Minas (MG), com aporte de R$ 600 milhões por usina.

Segundo a Coruripe, os projetos não foram cancelados, apenas postergados em razão do atual cenário econômico brasileiro. “Foram adiados devido às altas taxas de juros atualmente praticadas no Brasil. A meta é retomar esses projetos quando o cenário macroeconômico ficar mais favorável”, informou a empresa, sem apresentar uma previsão de retomada.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente da companhia, Mario Lorencatto, afirmou que, com os juros elevados, a prioridade passou a ser o controle da dívida líquida da empresa, atualmente em R$ 3,75 bilhões. Segundo ele, “cerca de 80% do caixa operacional vai para o serviço da dívida. Com juros reais próximos de 20%, fica difícil garantir retorno em commodities”.

Natália Cherubin para RPAnews
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