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Credores querem maior injeção de capital na Raízen para tratar sobre conversão da dívida

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Detentores de dívida da empresa querem que acionista coloque R$ 12,5 bilhões

Os credores da Raízen devem aceitar uma conversão de parte da dívida da companhia em ações dentro do processo de reestruturação da companhia desde que o volume seja o mesmo do que a injeção de capital a ser feita na empresa, apurou a Globo Rural.

O grupo de credores, que está organizado, já tinha enviado uma carta aos acionistas da Raízen – a Shell e Cosan – sobre a necessidade de uma capitalização de R$ 25 bilhões. Assim, se for esse número, a proposta do grupo é que R$ 12,5 bilhões venha da Shell e o restante da conversão, de acordo com fontes que pediram anonimato.

A Raízen entrou na última terça-feira, 10, em recuperação extrajudicial, com dívidas com credores financeiros da ordem de R$ 65 bilhões, e terá agora 90 dias para sentar com o grupo para chegar a um acerto sobre um plano de reestruturação a ser apresentado. Até aqui o plano que foi protocolado na Justiça foi bastante genérico, trazendo apenas a necessidade de capitalização e de uma reorganização societária.

“Nossa visão é de que o esforço da Shell ainda é baixo”, disse um dos interlocutores envolvido nas conversas. Na proposta na mesa feita pela companhia anglo-holandesa o aporte a ser feito por ela na Raízen seria de R$ 3,5 bilhões.

A holding Aguassanta, de Rubens Ometto, se comprometeu com mais R$ 500 milhões. Conforme antecipou o Valor, a Cosan não vai participar da capitalização.

Um entendimento já consolidado, disse uma fonte, é de que haverá a necessidade da conversão da dívida em ações dado o volume expressivo da dívida da Raízen.

Outra fonte disse que a Shell ainda não trouxe um número específico aos credores, mas sinalizou que a conversão poderia ser da ordem de 25% do total da dívida, ou seja, cerca de R$ 16 bilhões. O grupo, no entanto, estaria disposto a converter algo em torno de 15% da dívida – desde que a contrapartida da capitalização em dinheiro seja na mesma proporção.

As conversas ainda são incipientes e no momento as partes estão conversando para a assinatura de um acordo de não divulgação (o chamado NDA, do inglês Non-Disclosure Agreement) para que os credores possam ter acesso a todos dados da Raízen, como fluxos de caixa esperado e estruturas desenhadas para alongamento da dívida, disseram fontes. Os credores bancários estão sendo assessorados pelo FTI e os detentores da dívida externa pelo Moelis.

Uma fonte disse que a Shell já teria externalizado que, nesse processo de capitalização, não quer se tornar controladora da Raízen e ter, com isso, de consolidar a empresa em seu balanço. A mesma fonte disse que no processo é possível desenhar uma equação em meio a reorganização societária para que isso não aconteça.

Se uma capitalização de R$ 25 bilhões na Raízen ocorrer, a diluição seria brutal: hoje, a empresa possui um valor de mercado de cerca de R$ 5 bilhões na B3. Dentre os efeitos, a participação da Cosan na companhia seria fortemente reduzida no processo, caso, de fato, não participe do aporte.

Além da injeção de capital e conversão da dívida, a Raízen também mantém esforço para levantar recursos por meio de venda de ativos, sendo que sua subsidiária na Argentina já estaria em fase de diligências. Segundo uma fonte, os bancos estariam dispostos a apoiar esse processo, o qual poderia ocorrer por meio de financiamento aos compradores desses ativos.

Procurada, Shell não comentou até o momento.

Globo Rural| Fernanda Guimarães

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