Estudo detalha a composição dos custos da safra 2025/26, aponta mudanças na mecanização da colheita e destaca os principais desafios para a gestão operacional das usinas
Produzir uma tonelada de cana-de-açúcar custou, em média, R$ 177 na safra 2025/26, o equivalente a R$ 1,3543 por quilo de ATR, segundo levantamento do Pecege Projetos que consolida os custos do ciclo encerrado em março deste ano. A análise mostra que as operações agrícolas concentram mais da metade das despesas da atividade, reforçando a colheita mecanizada como o principal foco para ganhos de eficiência e redução de custos nas usinas.
O analista Pedro Perdigão explicou, durante live do Pecege, que o valor corresponde ao fechamento dos custos registrados entre abril de 2025 e março de 2026 e ficou acima da estimativa preliminar de R$ 175 por tonelada, uma vez que incorpora despesas contabilizadas após o encerramento da moagem, principalmente relacionadas à formação do canavial e às operações realizadas durante a entressafra.
Ao detalhar a composição dos custos, Perdigão destacou que as operações agrícolas representam 51% do custo total da produção, seguidas pelos insumos (26%), arrendamento ou custo de oportunidade da terra (17%) e outros custos (6%). Segundo o analista, a decomposição dos indicadores permite identificar as operações com maior potencial de ganho de eficiência.
Dentro da operação agrícola, o CTTA (corte, transbordo, transporte e apoio) responde por 51% do custo operacional, consolidando a colheita como a etapa de maior impacto econômico da produção. Na sequência aparecem os tratos culturais (30%), o plantio (11%) e o preparo de solo (8%). “A gente consegue entender que o que mais onera esse custo da operação é a operação de colheita”, afirmou.

Perdigão chamou atenção ainda para o peso da mecanização na estrutura de custos. Segundo ele, aproximadamente 90% do custo operacional está concentrado no maquinário, reunindo despesas com combustível, manutenção, operadores e serviços mecânicos terceirizados. Na avaliação do analista, o acompanhamento dos indicadores operacionais torna-se cada vez mais estratégico para aumentar a eficiência das máquinas e reduzir custos.
Os dados históricos apresentados pelo Pecege Projetos mostram crescimento dos custos operacionais por hectare em praticamente todas as operações agrícolas entre as safras 2019/20 e 2025/26, especialmente no plantio, preparo de solo e tratos culturais.

Colheita mecanizada concentra os principais desafios operacionais
Ao analisar os indicadores de motomecanização, a analista Rafaela Cota destacou que a colheita permanece como a principal frente operacional da cultura e, por isso, concentra grande parte das oportunidades de ganho de eficiência. Segundo ela, acompanhar indicadores técnicos permite às usinas direcionar investimentos, reduzir desperdícios e melhorar o desempenho operacional das frentes de colheita.
Entre os principais movimentos observados pelo levantamento está a predominância das colhedoras de uma linha nas operações agrícolas. Rafaela explicou que, embora as colhedoras de duas linhas tenham despertado expectativa de expansão nos últimos anos, sua adoção perdeu ritmo em razão do maior investimento exigido, dos custos de manutenção e das adaptações necessárias ao sistema produtivo. A analista observou ainda que o sistema de duplo alternado vem sendo utilizado com menor frequência pelas usinas.
Outro aspecto destacado por Rafaela foi a mudança na composição dos custos da mecanização. Segundo ela, os gastos com manutenção aumentaram sua participação nos últimos anos, refletindo a decisão de muitas empresas de prolongar a vida útil dos equipamentos em vez de renovar a frota. Paralelamente, a locação de máquinas ganhou espaço como alternativa para reduzir a necessidade de investimentos em um ambiente de maior custo do capital.
Na avaliação da analista, esse cenário reforça uma mudança na gestão agrícola das usinas. Indicadores como disponibilidade mecânica, rendimento das colhedoras, consumo de combustível, planejamento das frentes de colheita e organização logística passaram a influenciar diretamente o custo final da produção. “O foco está na redução do custo. Aquilo que a gente pode controlar é justamente melhorar a eficiência operacional”, afirmou.
Para Rafaela, uma safra com maior produtividade poderá contribuir para reduzir o custo por tonelada em 2026/27. No entanto, ela ponderou que fatores como o clima continuarão influenciando os resultados das usinas. Diante desse cenário, a analista defendeu que a eficiência operacional deve permanecer no centro das estratégias de gestão. “O foco está na redução do custo. Aquilo que a gente pode controlar é justamente melhorar a eficiência operacional”, concluiu.
Natália Cherubin para RPAnews


