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Déficit global sustenta preços do açúcar em Nova York

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Projeções apontam oferta inferior à demanda em 2026/27, enquanto produção menor na União Europeia e chuvas abaixo da média na Índia reforçam preocupações com disponibilidade

Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira, 31, em alta na Bolsa de Nova York, sustentados pelas perspectivas de menor oferta global. Na ICE Futures US, o açúcar bruto fechou cotado a 17,74 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, onde não houve negociação devido a um feriado no Reino Unido, o açúcar branco tinha como última referência US$ 521,60 por tonelada.

Segundo o Barchart, as cotações em Nova York permaneceram abaixo da máxima registrada na sexta-feira, quando o açúcar bruto atingiu o maior nível em 16,5 meses. Em Londres, o açúcar branco havia alcançado na quinta-feira a máxima de 17 meses.

O movimento de valorização observado nas últimas semanas vem sendo sustentado pelas perspectivas de aperto no balanço mundial de açúcar. Na última semana, a Green Pool Commodity Specialists projetou déficit global de 3,2 milhões de toneladas na safra 2026/27 e reduziu sua estimativa para o superávit da temporada anterior, de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.

O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia também projetou queda de 19% na produção do bloco em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.

Outras consultorias vêm revisando suas estimativas na mesma direção. No início de agosto, a Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, ante uma previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A StoneX elevou sua estimativa de déficit para 1,7 milhão de toneladas, frente às 550 mil toneladas projetadas anteriormente. Já a Czarnikow revisou seu balanço de uma expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas.

Índia mantém mercado em alerta

As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, também seguem no radar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico da Índia mostram que as chuvas acumuladas das monções estavam 14% abaixo da média até 31 de agosto.

O déficit diminuiu significativamente em relação ao fim de junho, quando as precipitações estavam 42% abaixo do normal. Ainda assim, o órgão meteorológico já havia indicado que as chuvas de agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo da média.

O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. O período das monções no país se estende de junho a setembro.

Outro sinal de pressão sobre a oferta veio do comércio exterior indiano. Em 20 de agosto, a Direção-Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A decisão ganha relevância porque a Índia é tradicionalmente exportadora de açúcar e não realizava importações expressivas do produto desde a temporada 2017/18.

Fundos ampliam posições compradas em Londres

Apesar dos fundamentos de suporte, o posicionamento dos fundos pode aumentar a volatilidade dos preços. Os dados mais recentes do Commitment of Traders (COT) mostraram que os fundos ampliaram em 2.830 contratos suas posições líquidas compradas no açúcar branco negociado em Londres na semana encerrada em 25 de agosto.

Com isso, a posição líquida comprada atingiu o recorde de 70.766 contratos, maior volume desde o início da série histórica, em 2011.

Segundo o Barchart, o nível elevado de posições compradas pode intensificar eventuais movimentos de liquidação caso os fundos decidam reduzir sua exposição ao mercado.

Com informações da Barchart

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