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Do ponto de vista do mercado, a Índia deveria exportar açúcar

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A decisão de exportar ou não o açúcar é puramente política, mas o mercado continua favorável e a Índia deveria pensar nisso, de acordo com relatório da hEDGEpoint Global Markets.

De acordo com Lívea Coda, analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint Global Markets, a principal razão do governo da Índia para uma possível proibição das exportações de açúcar é um aumento sem precedentes do seu índice de preços ao consumidor (IPC), que está acima da meta.

Como a inflação atingiu 7,4% em julho e a meta do Banco Central é de 4%, com limites de tolerância inferior e superior de 2% e 6%, respectivamente, é natural esperar que o governo tome medidas.

A analista de Açúcar e Etanol da hEDGEpoint Global Markets, a culpa não é do açúcar. Ao analisar as taxas de inflação da Índia por grupo, os principais impulsionadores de um índice alimentar mais elevado foram os vegetais, com um aumento de 37,3%, juntamente com as especiarias, que subiram 21,63%.

“Açúcar e produtos de confeitaria, por outro lado, subiram 3,75%. É claro que os resultados das monções de agosto não são encorajadores e uma produção mais baixa poderá perturbar ainda mais os preços internos. Ainda assim, muito foi dito e muitos rumores afetaram os preços – até mesmo a possibilidade de importações está sendo considerada por alguns. Para tentar descobrir onde estão os principais riscos e justificar a nossa atual expectativa de exportação de 1,3Mt, vamos comparar o mercado atual com o passado”, observa Lívea.

Durante as safras 2015/16 e 16/17, o país não só não exportou como também importou açúcar para controlar os preços internos. De outubro de 2015 a setembro de 2017, o preço médio de Delhi, Muzaffar Nagar e Kolkatta atingiu 554 USD/t (3.670 INR/qtl), contra a média do mercado global de 374 USD/t para açúcar bruto e 468 USD/t para açúcar branco. “Neste mercado, é seguro dizer que houve muito incentivo às importações e pouco às exportações”, diz.

De acordo com a analista, hoje, apesar dos preços em INR/qtl serem extremamente elevados (3.800 INR/qtl), a desvalorização do INR garante um preço mais baixo em USD, em 460,55 USD/t. Com o mercado internacional altista, com o preço do açúcar bruto acima de 560 USD/t e do branco na faixa de 700 USD/t, as importações não são vantajosas – e as exportações são extremamente atrativas para o sector.

“Usando matemática simples, a Índia deveria continuar exportando açúcar. O país poderia se beneficiar da atual situação e perspectiva para o mercado. Contudo, não é assim tão simples e fundamentos como o clima, a produção esperada e os estoques desempenham um papel importante na elaboração de políticas”, diz.

A Índia é o maior consumidor de açúcar, sendo responsável pelo desaparecimento de mais de 28 milhões de toneladas anualmente. Sabe-se que o governo do país tem como meta manter em reserva pelo menos 3 meses de consumo do adoçante. Para 22/23 significaria 7Mt, enquanto para 23/24, 7,3Mt. Até o momento, com o que foi exportado (6Mt) na atual temporada, os estoques estão em valores historicamente baixos, em torno de 4Mt.

Mesmo que a Índia não exporte em 23/24, os estoques não atingirão a “meta”. No entanto, dada a atual configuração do mercado internacional, a hEDGEpoint acredita que não só as importações estão fora de questão, como também algumas exportações poderão ser permitidas quando os estoques começarem a acumular – seria difícil evitar que o setor tirasse alguma vantagem dos elevados preços do açúcar.

“Isso não significa que estamos fechando os olhos à menor disponibilidade; na verdade, já há algum tempo que discutimos uma produção de apenas 31,4Mt. Embora tenha sido confirmado a pior ocorrência de monções em anos durante o mês de agosto, continuamos com nossa produção inalterada – ainda falta algum tempo para o início da safra – e com nossa expectativa de exportação de 1,3Mt”, pontua.

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