Em um movimento estratégico voltado à inovação, sustentabilidade e excelência operacional, Tereos e Atvos estão realizando seus primeiros testes com tratores autônomos na cultura de cana-de-açúcar. De acordo com as empresas, a iniciativa reforça o compromisso em aprimorar a qualidade, a eficiência e a segurança das operações no campo.
As companhias relatam que os testes envolvem a tecnologia da empresa norte-americana ASI, considerada referência em veículos autônomos. Já a validação foi conduzida pela consultoria técnica Balanced Engineering e pela Agricef, responsável pela integração dos sistemas nos equipamentos.
Segundo as sucroenergéticas, o processo evidenciou o potencial da automação em impulsionar tarefas agrícolas, aumentar a precisão operacional e otimizar custos, além de maximizar a produtividade sem necessidade de expandir área cultivada.
“Mais do que integrar a tecnologia, a Agricef atuou para adequar a solução da ASI às condições reais de operação das usinas. Os resultados iniciais reforçam que as operações autônomas tendem a se consolidar como uma realidade no campo, contribuindo para uma agricultura cada vez mais sustentável”, afirma o diretor de operações da Agricef, Efraim Albrecht.
Ele relata que a iniciativa teve origem na Agri-Tech Experience, organizada por Balanced e Agricef, e realizada nos Estados Unidos em outubro de 2024. A partir dessa experiência, formou-se a Brazilian Sugarcane Automation Alliance, parceria criada para avaliar tecnologias de automação já maduras e adaptá-las para a realidade do agronegócio brasileiro.
Entre maio e dezembro de 2025, os tratores foram submetidos a operações reais, registrando um aumento potencial de 20% na produtividade dos equipamentos com o sistema autônomo. O avanço tecnológico também se destacou pela promoção da sustentabilidade, com redução de até 10% no consumo de diesel.
“A visão da ASI para a agricultura é levar a automação a todos os produtores – de pequenas propriedades a operações em larga escala – contribuindo para sistemas agrícolas mais resilientes”, afirma o CEO da ASI, Mel Torrie.
O diretor de operações agroindustriais da Tereos, Everton Carpanezi, acredita que os testes representam um “avanço decisivo” para a modernização da operação agrícola no país. “Ao validar a tecnologia em condições reais de campo e ao longo de diferentes operações do ano, conseguimos medir com precisão seu desempenho, seus ganhos operacionais e sua capacidade de escala”, relata.
Ele ainda completa: “Este foi o primeiro passo para adaptar soluções autônomas já consolidadas no mundo à realidade brasileira. A criação da aliança foi fundamental para abrir as portas dessa inovação no Brasil e estamos certos de que essa tecnologia trará ainda mais eficiência, segurança e sustentabilidade para nossas ações no campo”.
Já o vice-presidente de tecnologia, inovação e engenharia da Atvos, Alexandre Maganhato, afirma que a adoção de sistemas autônomos na cultura de cana-de-açúcar representa um marco para o agronegócio brasileiro.
“Com a sincronização de todos os equipamentos agrícolas envolvidos, como tratores, colhedoras e frota de apoio, conseguiremos não apenas otimizar processos e reduzir custos, mas também contribuir para uma agricultura mais sustentável e eficiente. Este projeto reforça nosso compromisso em liderar a transição energética, ao mesmo tempo em que impulsiona nossas equipes para os novos desafios e oportunidades trazidos pela digitalização do campo”, destaca
Durante os primeiros testes, a solução foi validada nas operações de grade e subsolagem. Segundo as empresas, isso proporcionou um melhor entendimento sobre os ajustes necessários para atender às demandas específicas de cada operação, ampliando a aderência do sistema às condições operacionais da cultura de cana-de-açúcar.
Ainda de acordo com as companhias, foram identificadas e implementadas oportunidades de melhoria no sistema para atender às particularidades da topografia e do padrão operacional brasileiro, resultando em uma solução mais preparada para operar em diferentes cenários agrícolas.
As sucroenergéticas ainda relatam que a implementação da tecnologia contempla a capacitação dos colaboradores das operações. Os profissionais são preparados para novas funções, como supervisão de frotas autônomas, diagnóstico remoto e gestão de dados, fortalecendo a integração entre pessoas, tecnologia e decisões orientadas por inteligência operacional.
“A adoção de autonomia exige mais do que apenas comprar uma solução: requer prontidão operacional e alinhamento do negócio do produtor”, diz o sócio-gerente da Balanced Engineering, Alex Foessel.

