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Entendendo o Agronegócio

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Por Valter Casarin

A industrialização da agricultura e a globalização dos mercados mudaram drasticamente as práticas agrícolas há várias décadas. Um setor econômico real se formou em torno da agricultura e da indústria de alimentos. Seus atores e principais atividades visam atender a uma crescente necessidade do setor no mundo das finanças e negócios.

Em tempos de pandemia devido ao novo coronavírus, muito se ouve falar que o agro é quem está sustentando a economia brasileira. No entanto, algumas pessoas consideram o agronegócio algo danoso, enquanto outros concordam ser um setor de grande importância para o fortalecimento de nossas divisas. Mas o que é exatamente o agronegócio?

O agronegócio é um termo relativamente recente, que se refere a todas as atividades econômicas relacionadas à produção, processamento e comercialização de produtos da agricultura. Ao contrário da agricultura convencional, que é essencialmente de subsistência, ela se baseia na enorme capacidade de produção da mecanização atual do processo de produção e transformação. Abrangendo os campos de produção, o mundo do processamento e o do marketing, ele abrange uma infinidade de atividades muito diversas em torno de produtos da agricultura e da agroindústria.

O agronegócio cobre integralmente as atividades econômicas ligadas ao setor agrícola nos setores financeiro e comercial, desde insumos até a comercialização de produtos agrícolas, passando pelo processamento industrial, além de focar na produção e venda de fertilizantes, sementes, máquinas agrícolas e alimentares. Dados os novos desafios da agricultura, como a integração de novas tecnologias, globalização, cultivo intensivo, meio ambiente, esse é o setor que mais identifica as realidades atuais do setor agrícola.

A força da produção agrícola internacional é o principal fator no desenvolvimento do agronegócio. Com o aumento contínuo da produtividade através do uso de máquinas no processo de produção, a agricultura fornece segurança alimentar para a população mundial e fornece alimento para o gado, que por sua vez fornece a matéria-prima para a processamento de alimentos (leite, carne, ovos, etc.). De acordo com previsões internacionais, a produção agrícola mundial deve aumentar em 70% até 2050.

Os insumos usados na produção de alimentos

Quando falamos dos fertilizantes é útil relembrar alguns conceitos básicos cuja falta de conhecimento do público em geral é, infelizmente, confusa. As plantas se alimentam de minerais, principalmente nitrogênio, fósforo e potássio, além de cálcio, magnésio, enxofre e alguns micronutrientes. À medida que a colheita extrai esses nutrientes, grande parte se perde irreversivelmente. É fundamental devolvê-los ao solo se quisermos preservar sua fertilidade e ter uma agricultura sustentável.

Também devemos evitar confundir fertilizantes e agrotóxicos (ou defensivos agrícolas). Os fertilizantes são alimentos para os vegetais, essenciais para bons rendimentos, enquanto os agrotóxicos são produtos para evitar grandes perdas de safra, protegendo as plantas contra pragas ou doenças. Herbicidas (como o famoso glifosato) controlam plantas daninhas invasoras. O que aconteceria se todos os agricultores parassem de proteger suas plantações? As invasões maciças de insetos (besouros, lagartas, pulgões, …) são controladas por esses produtos ajudando a evitar perdas de colheitas que, em anos desfavoráveis, podem ser quase totais.

Na ausência de fertilizantes minerais, todos os nutrientes essenciais podem ser fornecidos por fertilizantes orgânicos, na forma de excrementos de animais nas regiões de reprodução ou de compostos com base em vários resíduos. Essas contribuições podem ser suficientes para a produção de vegetais ou frutas em pequenas áreas, mas certamente não para a produção agrícola em lavouras de grandes áreas. Para obter altos rendimentos é necessário compensar com o uso de fertilizantes minerais.

A iniciativa Nutrientes Para Vida (NPV), tem como missão destacar e informar a população a respeito da relevância de fertilizantes para o aumento da qualidade e segurança da produção alimentar, colaborando com melhores quantidades de nutrientes nos alimentos e consequentemente, com uma melhor nutrição e saúde humana.

Valter Casarrin é Doutor em Ciência do Solo – École Nationale Supérieure Agronomique de Montpellier, Diretor Técnico da Fertilità Consultoria Agronômica, professor do Programa SolloAgro – ESALQ/USP e coordenador Científico – Nutrientes Para a Vida (NPV).


 

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Campanha reforça ações integradas com foco em segurança, meio ambiente e eficiência operacional A Raízen anunciou o lançamento de sua estratégia integrada de prevenção e combate a incêndios para a safra 2026/27, diante da aproximação do período seco e da possibilidade de eventos climáticos extremos. A iniciativa, que passa a vigorar a partir de maio, é estruturada por meio da campanha “Quem Ama a Terra, Não Chama o Fogo” e tem como base a integração entre segurança, preservação ambiental e eficiência operacional. A companhia informa que o tema permanece como prioridade para a nova safra, com investimentos direcionados a pessoas, tecnologias e equipamentos. A campanha reúne diversas frentes de atuação coordenadas, incluindo plano de mídia, realização de carreatas e blitz educativas, ações pedagógicas em escolas, iniciativas de relações públicas e reforço da comunicação interna. De acordo com Hamilton Jordão, gerente corporativo de Operações Agrícolas da Raízen, a antecipação do período seco tem exigido intensificação das ações preventivas. Segundo ele, a prevenção de incêndios é tratada como um dos pilares das práticas no campo, com integração entre eficiência operacional e relacionamento com as comunidades do entorno. A estrutura de resposta a incêndios da companhia inclui monitoramento 24 horas com uso de satélites, sensores e softwares de inteligência, além de previsões meteorológicas e treinamentos de brigadas. Para a safra 2026/27, teve início a instalação de câmeras de alta precisão na unidade Barra, que utilizam inteligência artificial para prever e mitigar riscos antes mesmo do surgimento de focos de incêndio. O trabalho preventivo abrange o monitoramento de mais de 430 mil hectares de cana-de-açúcar. Segundo Jordão, a segurança da comunidade e a integridade das operações demandam atuação conjunta entre equipes, parceiros e sociedade, com foco na continuidade e sustentabilidade das atividades. Para a campanha deste ano, a Raízen contará com uma frota de 238 veículos de brigada, sendo 206 caminhões-pipa e 32 Veículos de Intervenção Rápida (VIR), além de um contingente de mais de 600 brigadistas dedicados e cerca de 1.300 colaboradores treinados para suporte. A companhia também atua em parceria com Corpo de Bombeiros, polícias Rodoviária e Ambiental, prefeituras, associações, fornecedores de cana e empresas parceiras, promovendo treinamentos e campanhas educativas com foco na prevenção de incêndios. Como parte das ações de combate, a Raízen disponibiliza a Central Contra Incêndios pelo telefone 0800 770 22 33, canal voltado ao reporte imediato de ocorrências em canaviais, além da orientação para acionamento do Corpo de Bombeiros pelo número 193. Entre os principais fatores que contribuem para o surgimento e a propagação de incêndios estão o descarte de bitucas de cigarro em estradas, fogueiras, soltura de balões, rituais religiosos em áreas abertas, limpeza de terrenos em regiões próximas a cidades e rodovias, além de incêndios criminosos. Condições climáticas como tempo seco, altas temperaturas e ventos intensos também ampliam o risco de propagação do fogo. Em relação às práticas agrícolas, a empresa destaca que atua em conformidade com o “Protocolo Agroambiental – Etanol Mais Verde” e informa que não utiliza o fogo em nenhuma etapa de seus processos. A queima da palha da cana-de-açúcar foi eliminada há anos nas áreas de atuação da companhia, com adoção exclusiva de colheita mecanizada, sem envolvimento com focos de incêndio ou práticas de queimadas em suas operações no campo.

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

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