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Especialistas dizem que venda direta de etanol não diminuirá preço do combustível em Ribeirão Preto

Mato Grosso é o 2º estado com o menor preço médio de venda do etanol do Brasil, mesmo com as últimas altas no valor desse combustível.
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Representantes do mercado do etanol na região de Ribeirão Preto (SP) dizem não ver vantagem na possibilidade de as usinas passarem a vender o combustível direto para os postos, proposta que será debatida em uma audiência pública. A discussão, marcada para o dia 24 de novembro, foi aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo o governo federal, a mudança resultaria no aumento da concorrência e reduziria os valores nas bombas, diferentemente do que é feito hoje, quando toda a produção passa primeiro pelas distribuidoras antes de chegar ao consumidor.

O economista Marco Antônio Françoia diz que a proposta não deve beneficiar o consumidor. Ele afirma que o trajeto do frete do etanol poderia ser encurtado, já que o combustível não precisaria passar pela base da distribuidora antes de chegar ao posto. O problema é que os postos precisariam ter estrutura logística diferente da que têm hoje.

“As distribuidoras compram grandes lotes e negociam preços. Os postos teriam que ter estrutura própria para fazer a retirada na usina e distribuir. Vai ter que ter capital de giro para isso, então poucos postos de combustíveis, a não ser as grandes redes, teriam vantagem”, diz.

Tributos

Diretor de uma usina localizada em Sertãozinho (SP), Antônio Eduardo Tonielo Filho afirma que os produtores de etanol também não teriam estrutura para atender à demanda. Ele avalia que, para o novo modelo de negócios funcionar, seria preciso uma redução de impostos.

“Como você concorre em um mercado em que 70% dele são três grandes distribuidoras? Para compensar, tem que haver volume grande de distribuição, porque a margem é muito pequena”, diz. “Precisa de uma estrutura com caminhão, tancagem, e nós não temos.”

Sem impacto para o consumidor

O presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Combustíveis em Ribeirão Preto, Waldemar de Bortoli Júnior, afirma que, se colocada em prática, a mudança não deve reduzir o preço do etanol para o consumidor final.

“As usinas não têm estrutura para venda no varejo e também não vão ter interesse em deixar de vender para as distribuidoras em grande quantidade. Essa redução de preços seria possível com a redução, por parte do governo, dos impostos.”

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

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