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Etanol dos EUA deve manter vantagem sobre Brasil na Europa, apesar de acordo com UE

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A competitividade do etanol brasileiro no mercado internacional, especialmente na Europa, deve continuar limitada em relação ao etanol dos Estados Unidos, segundo relatório da Datagro. O documento cita diferenças estruturais de custos, logística e câmbio.

A análise destaca que a arbitragem – indicador que mede a rentabilidade das exportações ao comparar o preço de venda no destino com todos os custos logísticos, tributários e financeiros – continua mais favorável aos Estados Unidos do que ao Brasil.

Atualmente, a operação de envio de etanol norte-americano para a Europa apresenta margem positiva de 39,3%, enquanto a brasileira alcança 18,1%.

A partir de junho, com a acomodação dos preços no mercado europeu, o cenário tende a piorar para o produto nacional: a arbitragem deve se tornar negativa, em média de -4,7%, indicando inviabilidade econômica das exportações, enquanto o etanol dos EUA ainda manterá margem positiva próxima de 8,1%.

O avanço norte-americano no mercado europeu já é visível nos dados recentes. A demanda da União Europeia pelo etanol dos EUA quase quadruplicou nos últimos anos, passando de 375 milhões de litros em 2022 para 1,38 bilhão de litros em 2025. Em igual período, as exportações brasileiras para o bloco caíram 73%, de 698 milhões para 186 milhões de litros.

Segundo o relatório, a Europa tende a ser um mercado mais dinâmico em 2026, com maior sensibilidade a preços e custos logísticos, fatores que hoje favorecem os norte-americanos.

Entre os principais fatores que reduzem a competitividade brasileira estão os custos logísticos internos e o frete marítimo. No Brasil, o transporte até os portos depende majoritariamente do modal rodoviário, com custos estimados entre US$ 15 e US$ 30 por metro cúbico. Já nos EUA, o uso de barcaças e dutos reduz esse custo para cerca de US$ 10 a US$ 20 por metro cúbico.

Além disso, o frete internacional também é mais barato para os norte-americanos, devido à menor distância até a Europa. Soma-se a isso o custo cambial. Com Selic elevada, o custo de carregar hedge é “significativo”, segundo a Datagro, variando entre 1% e 3% ao ano, o que prejudica o exportador brasileiro.

O principal fator que pode melhorar a posição do Brasil é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que começa a ser aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026.

O acordo prevê cotas de exportação com vantagens tarifárias: 450 mil toneladas por ano de etanol para uso industrial (equivalente a cerca de 570 milhões de litros) com isenção de tarifa, além de outras 200 mil toneladas para todos os usos (aproximadamente 250 milhões de litros) com tarifa reduzida. Somadas, as cotas chegam a cerca de 650 mil toneladas, ou aproximadamente 820 milhões de litros, sendo que o Brasil deverá receber a maior parcela desse volume.

Enquanto enfrenta dificuldades na Europa, o Brasil mantém vantagem em mercados específicos da Ásia.

Na Coreia do Sul, por exemplo, o etanol brasileiro domina por causa de exigências técnicas que favorecem o produto de cana não geneticamente modificado.

Já no Japão, mudanças regulatórias e acordos políticos recentes ampliaram o espaço para o etanol norte-americano, criando um vetor político de curto prazo favorável aos EUA.

Agência Estado| Leandro Silveira

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