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Tempo seco em área central do Brasil ameaça milho tardio, mas favorece colheita de cana

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Um tempo mais seco em parte da região central do Brasil coloca em risco a produtividade de lavouras de milho plantadas tardiamente, mas tem ajudado no desenvolvimento da colheita de cana-de-açúcar, que está começando, afirmaram meteorologistas.

“Para o milho, pode sim trazer problemas, principalmente para Goiás e Minas Gerais, onde o milho está mais atrasado”, disse o sócio fundador da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos. “Se não chover até o dia 10 de maio, as quebras nesses estados poderão ser grandes”, completa.

Dados do terminal da LSEG apontam poucas chuvas para Goiás e grande parte de Minas Gerais até o final da primeira semana de maio. Também terão esta condição áreas ao norte dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, além lavouras no Nordeste, como na Bahia. O sul de Mato Grosso também verá menos precipitações no período.

Goiás é um dos maiores produtores de milho do Brasil na segunda safra, atrás de Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, pela ordem, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção na segunda safra, que responde por grande parte da colheita brasileira de milho, está estimada em 109 milhões de toneladas do cereal, queda anual de 3,6%, estima a Conab.

Normalmente, segundo meteorologistas, as chuvas vão ficando mais escassas nesta época, o que explica o fato de produtores correrem para colher a soja e plantar o milho segunda safra em grande parte das áreas produtoras o quanto antes.

“O risco (do tempo seco) se concentra em lavouras mais tardias ou em áreas onde o volume de chuvas até março foi abaixo da média, embora, nesses casos, o impacto deva ser localizado”, afirmou o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento.

De modo geral, é normal a ocorrência de “pouca ou nenhuma chuva” nesta época do ano, reforçou o especialista. “Isso não representa um problema para os agricultores que estão dentro da janela ideal de cultivo, já que a demanda hídrica das lavouras tende a diminuir neste período”, completou.

Ele ainda cita que chuvas fracas e garoas ocasionais até meados de maio, somadas à formação de orvalho nas folhas, no caule e no solo nas primeiras horas do dia, costumam ser suficientes para sustentar o desenvolvimento final das culturas.

Cana é favorecida

Por outro lado, o clima mais seco nesta e nas próximas semanas tende a favorecer as lavouras de cana-de-açúcar, contribuindo tanto para a maturação quanto para o aumento do açúcar total recuperável (ATR), além de facilitar as operações de colheita e moagem, disse Nascimento.

A safra 2026/27 de cana começou oficialmente em abril, com expectativas de uma recuperação na produtividade em relação ao ciclo anterior, além de um forte aumento da produção de etanol. “Para a colheita da cana, as condições são boas”, concordou Santos.

El Niño

O meteorologista da Rural Clima avaliou, por outro lado, que um El Niño em formação poderá resultar em chuvas no Centro-Sul, no início do inverno, quando o clima é geralmente mais seco em grande parte da região, prejudicando as colheitas de cana e café.

“O El Niño de fato deverá vir somente a partir de junho. Até daria para falar que essa chuva no inverno já será por conta do El Niño”, comentou.

Com aquecimento já registrado nas águas do Pacífico – um sinal do El Niño –, maio também poderia ver mais chuvas, acrescentou Santos.

As atividades operacionais de colheita de cana e café no Brasil, maior produtor global dos dois produtos, precisam de tempo seco para um melhor desenvolvimento. No caso do café, as expectativas são de um recorde produtivo em 2026.

Já Nascimento, da Nottus, observou que maio e junho devem apresentar condições climáticas “neutras” com o encerramento do fenômeno La Niña. Ele citou ainda que há a expectativa de formação de El Niño em julho.

Reuters| Roberto Samora

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