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EUA descartam maior abertura para importações de açúcar brasileiro

Após duas temporadas consecutivas de superávit mundial de açúcar, a safra 2019/20 pode registrar déficit.
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A nova representante de comércio dos Estados Unidos no Brasil, Katherine Tai, descartou negociar uma maior abertura para as importações de açúcar brasileiro em troca das exportações de etanol americano ao país. Ela disse que nenhum setor será prejudicado em detrimento de outro nas relações comerciais bilaterais.

As manifestações foram enviadas por escrito ao Comitê de Finanças do Senado. Tai respondeu perguntas dos senadores sobre como lidaria com as questões comerciais relativas ao açúcar após a audiência realizada na quarta-feira que confirmou seu nome para o Escritório do Representante Comercial dos EUA.

Questionada sobre as recentes tentativas do Brasil de negociar condições para ampliar a venda de açúcar aos EUA em troca de aberturas ou isenções para o etanol e outras commodities, Tai disse que não colocará setores produtivos americanos uns contra os outros.

“Em meu depoimento, enfatizei que nenhuma parte interessada dos EUA deve ser priorizada em relação à outra durante as negociações comerciais”, afirmou. “Se for confirmado, comprometo-me a garantir que nenhum novo acesso ao mercado agrícola aconteça às custas de outras partes interessadas agrícolas”.

A medida é uma demanda antiga dos produtores de cana-de-açúcar brasileiros e foi colocada como condição para permitir a entrada do etanol americano – nos EUA, o milho é a principal matéria-prima na produção do biocombustível. No ano passado, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil criou uma cota adicional para a importação do biocombustível, que expirou em dezembro sem avanços na negociação bilateral. Agora, todo etanol americano que entra no Brasil é taxado em 20%.

A derrota de Donald Trump na corrida presidencial foi determinante para o tema não avançar, mas o setor produtivo brasileiro alega que não houve movimentação explícita do governo Bolsonaro, e principalmente do chanceler Ernesto Araújo, para ampliar o comércio de açúcar com os Estados Unidos. Em setembro, os dois países definiram prazo de 90 dias para negociar. Nesse período, os americanos concederam uma cota extra para o açúcar nacional, considerada irrisória pelas usinas brasileiras.

Nas respostas ao Senado, Katherine Tai também afirmou que a política comercial dos EUA deve beneficiar os produtores agrícolas americanos e fornecer aos consumidores e fabricantes de alimentos um abastecimento doméstico seguro e protegido.

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