Em congresso realizado em Cuiabá (MT), o CEO da Nasda afirmou que não há reciprocidade brasileira sobre o tema
Para o CEO da Associação Nacional de Departamentos Estaduais de Agricultura (Nasda, na sigla em inglês), Ted McKinney, as tarifas impostas pelo governo norte-americano mundo afora buscam um “comércio justo”. Especificamente sobre o Brasil, a relação apontada por ele como “injusta” é a falta de reciprocidade quanto ao etanol.
“Somos [Brasil e Estados Unidos] amigos há muito tempo. Compartilhamos muitas das mesmas tecnologias. Há muito o que nos alinha. Mas está ficando complicado agora, pois tentamos repetidamente por anos obter acesso ao mercado brasileiro de etanol, enquanto vocês já têm acesso a partes do nosso mercado”, destacou McKinney ao Agro Estadão.
Ele complementa: “Não estamos vendo reciprocidade. Na visão dos nossos agricultores, isso é um comércio injusto. Isso não está certo”.
O americano participou de um dos painéis na World Meat Congress (WMC) 2025, realizado nesta terça-feira, 28, em Cuiabá (MT). Ele afirmou que concorda com a visão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“A esperança é que o nosso presidente [Trump], através das negociações dele, esteja resolvendo essa questão do etanol”, destacou.
McKinney ainda comentou sobre as exportações ao mercado americano: “Após todos esses anos em que houve acesso irrestrito ao imenso mercado do Arizona e da Califórnia com etanol de cana do Brasil, por que é inapropriado retribuir e vender um pouco do nosso etanol de milho para o Brasil?”.
União para tratar de transgênicos com a China
O CEO da Nasda também defendeu uma união estratégica com os Estados Unidos para que a China libere a entrada de mais grãos transgênicos. Segundo ele, já há novas tecnologias nessa área, mas a cautela de Pequim atrasa os plantios nos países produtores, como o Brasil e os Estados Unidos.
“Brasil e Estados Unidos compartilham as mesmas tecnologias. O que é usado nos EUA é usado no Brasil. A China tem bloqueado isso e temos empresas esperando para introduzir biotecnologia, germoplasma e sementes que usam a tecnologia mais recente e melhor”, relata.
Ele segue: “Ainda assim não podemos [acessar esse mercado] porque a China está dizendo não para o milho americano e, talvez, até para a soja, e talvez para o Brasil. Precisamos fazê-los aprovarem essas tecnologias porque não é uma preocupação de segurança. É uma preocupação política”.
A China libera a entrada de milho e soja transgênicos, porém de forma deliberada. É preciso que a variedade seja reconhecida pelo país para que esses grãos possam ser importados.
Quanto ao acordo EUA-China, a expectativa de McKinney é de que haja uma retomada de assunto ainda do primeiro acordo firmado no mandato anterior de Trump.
“A China não comprou tudo que disseram que compraria e, mesmo as mais de 3 mil plantas de processamento de diferentes produtos que finalmente foram abertas para exportação para a China, algumas dessas agora estão sendo fechadas, retiradas da lista. Então, começar de onde parou seria um ótimo começo”, acrescentou.
Agência Estado| Daumildo Júnior
Jornalista viajou a convite do IMAC