Gestão – Engajamento de pessoas e equipes

Para que o engajamento aconteça de fato, há de existir uma corresponsabilidade de várias partes, incluindo o próprio profissional

*Beatriz Resende

/Um dos maiores desafios das empresas hoje é trazer as pessoas para si, fidelizando-as ao seu propósito. Isto se chama engajamento. É estabelecer uma relação entre o colaborador e a empresa, representada pelo seu líder imediato, que transcenda as entregas profissionais e contrapartidas financeiras. Essa ligação não é a estabelecida pelo contrato formal de trabalho. É preciso que um vínculo psicológico, afetivo e emocional com o trabalho e o emprego seja criado e mantido.

Se esse laço for estabelecido e mantido (o que é o grande desafio, como tudo na vida – a manutenção -), os profissionais passam a demonstrar posturas de maior interesse, dedicação, comprometimento, positividade e otimismo, tudo isso contribuindo, é claro, para maiores patamares de produtividade, qualidade, eficiência e eficácia.

Para que o engajamento aconteça de fato, há de existir uma corresponsabilidade de várias partes, incluindo o próprio profissional – o colaborador. As pessoas precisam ter elementos pessoais que induzam ao engajamento. Estamos falando aqui de automotivação, autoestima, proatividade, comprometimento, otimismo, força de vontade, sentido de autodesenvolvimento entre outros.

Da parte da empresa, a pergunta sempre é: como engajamos os nossos profissionais? É importante este assunto ser um incômodo presente, para que as empresas estejam atentas a essa importante questão. Até porque, no cenário atual e diante da diversidade de perfis oriundos das diferentes gerações de profissionais (tradicionais, baby-boomers, X, Y e Z), se as empresas não promoverem transformação em sua cultura e no modelo de gestão associado a ela, estas perderão bons profissionais, seja essa perda através da saída de pessoas competentes ou aquela, que é a pior, que é perda de pessoas que ainda estão no quadro, mas descompromissadas, descontentes, desencantadas, amargas e trazendo a sua pior porção pessoal e profissional para as relações de trabalho. Aquelas que desistem, mas ficam.

Como empresa, o que fazer para obter o engajamento dos profissionais?

  • Ter uma cultura de valores sólidos e éticos, e que sejam praticados e validados pelos colaboradores no dia a dia;
  • Ter um modelo de gestão que contemple os pilares da sustentabilidade nos âmbitos: econômico-financeiro; social e humano; ambiental; respeito à diversidade; imagem sólida; bons lastros deixados, entre outros;
  • Ter políticas de gestão de pessoas que promovam o desenvolvimento, o reconhecimento e a valorização, a oportunização de espaços de contribuição e crescimento, o trabalho em parceria e equipe, o patrocínio à busca de sinergia, o estímulo a relações transparentes e construtivas, entre muitos outros fatores de mesma natureza;
  • Ter e ofertar a seu quadro de colaboração, líderes preparados para a gestão, não somente de seus processos e serviços, mas também, e no mesmo grau de importância, das pessoas, das relações, da comunicação interna, das parcerias e da aplicação dos valores e princípios da organização;
  • Ter um RH forte, ético, missionário, trabalhando junto com a empresa na gestão da cultura, do clima, de políticas sólidas e fidelizadoras, de relações e parcerias construtivas, de lideranças preparadas e agregadoras e de pessoas maduras, conscientes do seu papel profissional.

Parece muito? Não, isso é básico. Sem isso não dá nem para a empresa começar a querer falar de engajamento.

O que cabe aos líderes, para que seus colaboradores estejam engajados?

  • Demonstrar (discurso x prática) perfil ético, coerente, maduro e responsável no papel que lhe foi dado;
  • Ter senso profissional e humano, equilibrando a energia e a firmeza que o papel requer, dentro dos preceitos de respeitabilidade e confiança mútua;
  • Ter propósito na missão de liderar, no que tudo isso inclui: processos, tarefas, recursos, custos, pessoas, parcerias, a comunicação com sua equipe e entre equipes que sua área relaciona, respeito às normas, aplicação dos valores da empresa, comprometimento com os resultados;
  • Conhecer a sua equipe, não só na execução do trabalho, mas o perfil de cada integrante e suas particularidades; as expectativas de cada um na relação e trabalho; suas forças e limitações; entre outros;
  • Exercer seus papéis gerenciais com sua equipe: orientar, treinar, direcionar, dar suporte, desenvolver, avaliar, dar feedback, valorizar, reconhecer, criar oportunidades, espaços, contribuições, causas que gerem realização profissional e pessoal através do trabalho;
  • Promover e manter boa comunicação, interação e transparência nas relações de trabalho;
  • Dar maior liberdade para criação, contribuição, opinião e participação;
  • Manter e estimular bom ambiente de trabalho e isto inclui: um bom clima, bom relacionamento, boas condições de trabalho, respeito e admiração mútua;
  • Ser um mentor de carreira e vida para seus colaboradores.

Parece muito também? Da mesma forma, sem esse modelo de liderança não há como ter pessoas engajadas. Nós teremos somente pessoas trabalhando no automático, sem nenhum comprometimento, o que dirá engajamento, no tradicional mantra sobre a segunda e a sexta-feira: abominando uma e desejando demais a outra.

E, finalmente, o que é esperado das pessoas, que também precisam se posicionar para que o engajamento aconteça?

  • Demonstrar interesse e comprometimento com sua carreira e as passagens profissionais que tiver, saindo do sentido do “emprego somente” para o “trabalho”;
  • No momento que escolheu estar em algum lugar, faça o seu melhor do começo ao fim, e não só no começo, para “passar pela experiência”, e não apenas quando a contrapartida estiver te interessando;
  • Mostre à empresa seu interesse, disponibilidade, senso de colaboração e doação, dedicação, responsabilidade e comprometimento. Pedir isso é falar do básico também. Isto não é um Plus, é contrato de trabalho;
  • Faça o seu melhor a cada dia, e aí você será visto. Não tem como ser visto e valorizado se estamos fazendo tudo na média para baixo. As empresas não têm mais espaço para profissionais e atuações medianas;
  • Mantenha-se atualizado com o que o mercado exige hoje de um profissional que tenha uma boa empregabilidade;
  • Não reclame: questione sim, mas ajudando a empresa a buscar soluções. Não seja passivo, achando que tudo tem que vir da empresa. Não seja do contra;
  • Pessoas que não são automotivadas, provavelmente são menos passíveis ao engajamento. Isto tem que vir de dentro;
  • Faça a sua parte, para que o todo trabalhe a seu favor;
  • Engaje-se: isto é vida!

Pesquisas mostram que o povo brasileiro, diante do restante do mundo, é o povo que mais tem possibilidade de estar engajado, pelo seu perfil. Mas, infelizmente, o percentual de pessoas desengajadas nas empresas brasileiras é de quase 80%. Isso justifica a importância e urgência de se tratar esse assunto.

Que possamos refletir sobre isso nesse final de ciclo para, quem sabe, começar um novo de forma diferente. Isso vale para todas as partes citadas acima. Um feliz novo ciclo a todos!

* Beatriz Resende é consultora, palestrante e conselheira de Carreiras da Dra. Empresa – Consultoria Empresarial (www.draempresa.com.br)