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O Grupo Cocal vai investir US$ 70 milhões para ampliar sua produção de etanol e renovar sua matriz energética. Os recursos serão usados na construção de uma fábrica de biogás, produzido a partir do processamento de subprodutos da moagem da cana-de-açúcar. O insumo será transformado em biometano e energia elétrica para abastecer residências, comércio, indústrias e veículos no interior de São Paulo.

Para os aportes, a empresa negociou um financiamento privado com o International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial. Serão US$ 40 milhões de recursos próprios do órgão, com prazo de oito anos, e outros US$ 30 milhões obtidos com os bancos Itaú BBA e Rabobank, com sete anos para pagamento.

O empréstimo faz parte de um programa geral de investimentos da empresa, previsto em US$ 92 milhões (cerca de R$ 500 milhões). Ele será utilizado para renovar 27 mil hectares de lavouras de cana e substituir máquinas e equipamentos agrícolas – além da planta de biogás, em Narandiba (SP), que deverá entrar em operação em outubro.

Com o investimento, a Cocal vai produzir biogás, biometano, CO2 e energia elétrica a partir da vinhaça e da torta de filtro, subprodutos industriais nobres do processo de moagem da cana, dentro do conceito de economia circular. Inicialmente, o biogás vai substituir combustíveis fósseis em indústrias da região, onde será distribuído por meio de carretas próprias.

A partir de julho de 2022, o produto também será distribuído para residências, comércio, indústrias e veículos na região de Presidente Prudente, Narandiba e Pirapozinho. A distribuição ocorrerá por meio do gasoduto construído em parceria com a GasBrasiliano.

Paulo Zanetti, diretor-superintendente do Grupo Cocal, diz que a empresa tem concentrado esforços em inovação e no fortalecimento das práticas ESG. A promoção do uso de biocombustíveis e de biofertilizantes também permite o enquadramento no programa de descarbonização RenovaBio.

“O investimento nesses projetos representa uma solução ambiental e socialmente viável e gera produtos versáteis, limpos e competitivos para a região, impulsionando a economia local”, afirmou.

A Cocal também vai investir em agricultura de precisão nos canaviais e no uso de tecnologia para buscar ganhos verticais na produção. Tudo conduzido e monitorado em tempo real com a implementação de estações climatológicas online. Entre as técnicas está a correção do solo em taxa variável e a prática denominada ESD (Escoamento Superficial Difuso) – que evita erosão, aumenta o potencial de produtividade e permite elevar a colheita sem expandir a área.

Também faz parte do plano expandir o uso da agricultura 4.0 (big data, cobertura e transmissão de dados no campo, equipamentos para controle de qualidade das operações agrícolas e softwares de gestão e processamento de dados), de fertilizantes organominerais, em substituição de químicos – com aplicação de vinhaça – e implantar tecnologias de nutrição foliar, para elevar produtividade e ATR (Açúcares Totais Recuperáveis).

“Esse projeto está alinhado com um dos pilares da IFC, que é tornar a sustentabilidade ambiental e social um motor do agronegócio. O aumento da participação de biocombustíveis sustentáveis e energia limpa na matriz energética é estratégico para o Brasil alcançar a meta estabelecida no Acordo de Paris”, disse Carlos Leiria Pinto, gerente-geral da IFC para o Brasil. Segundo ele, os recursos são 100% voltados para combater os efeitos das mudanças climáticas.

O Grupo Cocal, com sede em Paraguaçu Paulista, produz 8,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e 400 milhões de litros de etanol. A empresa tem 142 mil hectares de canaviais sob sua gestão.

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