Açúcar bruto alcançou maior nível em 15 meses durante a sessão, enquanto o branco renovou máxima de 17 meses; realização de lucros limitou avanço em Nova York
Os preços do açúcar atingiram novas máximas nesta quinta-feira, 20, diante das preocupações com uma oferta global mais apertada e da decisão da Índia de permitir a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos. Na ICE de Nova York, o contrato outubro chegou ao maior nível em 15 meses durante a sessão, mas perdeu força e fechou em queda de 0,17%, a 17,39 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o açúcar branco manteve a valorização e renovou a máxima de 17 meses. O contrato outubro avançou 1,84%, ou US$ 10 por tonelada, e encerrou o pregão cotado a US$ 547,40 por tonelada.
Segundo o Barchart, as cotações recuaram das máximas do dia diante de uma realização de lucros por fundos de commodities, em um movimento de compra com base na expectativa e venda após a confirmação da notícia envolvendo a Índia.
Índia autoriza importação sem impostos
O governo indiano anunciou nesta quinta-feira a redução das tarifas de importação de açúcar com o objetivo de ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado da demanda durante a temporada de festividades.
De acordo com a Direção-Geral de Comércio Exterior da Índia, o país permitirá a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem incidência de impostos até 31 de outubro.
A decisão chama atenção porque a Índia normalmente atua como exportadora no mercado internacional e não realiza importações substanciais de açúcar desde a temporada 2017/18. Segundo o Barchart, a medida representa mais um sinal das restrições de oferta enfrentadas pelo mercado global.
Déficits sustentam preços
As preocupações com a disponibilidade futura de açúcar vêm sustentando a valorização das cotações ao longo de agosto. Diferentes consultorias revisaram recentemente suas projeções para o balanço mundial da commodity.
A Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists elevou sua previsão de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão anteriormente. Já a StoneX ampliou sua estimativa de déficit de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow também revisou sua projeção para a temporada, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas. Segundo o Barchart, a revisão ocorreu em um cenário de maior direcionamento da cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras, em meio à valorização do petróleo decorrente do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Monções seguem abaixo da média
As condições climáticas na Índia também permanecem no radar do mercado. As chuvas acumuladas durante a temporada de monções estavam 13% abaixo da média até 19 de agosto, segundo o Departamento Meteorológico do país.
O cenário apresentou melhora significativa em relação ao fim de junho, quando as precipitações estavam 42% abaixo da normalidade.
Apesar da recuperação, o órgão meteorológico afirmou no fim de julho que as chuvas de agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, e sua temporada de monções ocorre entre junho e setembro.
Com informações da Barchart




