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Jalles amplia moagem em 10,1% no 1º trimestre da safra 2026/27

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Produtividade agrícola avança 7,4% no início da safra 2026/27; receita líquida recua 32,6%, enquanto liquidação de hedges de açúcar e câmbio soma R$ 112,2 milhões

A Jalles Machado moeu 3,129 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no primeiro trimestre da safra 2026/27, alta de 10,1% na comparação anual, impulsionada pela recuperação da produtividade dos canaviais. Apesar do avanço operacional, a menor comercialização e a queda dos preços de açúcar e etanol reduziram a receita líquida em 32,6%, para R$ 340,4 milhões. O EBITDA Ajustado com os efeitos dos hedges de açúcar e câmbio ficou em R$ 269,4 milhões, 2,8% abaixo do registrado um ano antes. Os dados foram divulgados pela companhia na última sexta, 14.

O avanço da moagem foi de 286,6 mil toneladas em relação ao 1T26 e ocorreu em um cenário de recuperação da produtividade e aumento da área colhida, beneficiados pela melhor distribuição das chuvas durante a entressafra. A área colhida totalizou 34,9 mil hectares, crescimento de 2,5%, enquanto o plantio total chegou a 6 mil hectares, avanço de 6,6%.

Segundo a administração, as condições climáticas mais favoráveis contribuíram para a recuperação dos canaviais após uma temporada em que Goiás e Minas Gerais estiveram entre os estados mais afetados por eventos climáticos adversos. A companhia destacou ainda a contribuição de suas práticas agronômicas para o desempenho registrado no trimestre.

A Jalles também avaliou que o ritmo mais forte de moagem no início da safra reduz a exposição da operação a eventuais adversidades climáticas no segundo semestre, entre elas o fenômeno El Niño, que historicamente pode reduzir o número de dias efetivos de operação. De acordo com a administração, a antecipação do processamento contribui para manter a colheita dentro da janela operacional mais adequada, preservando produtividade e eficiência.

Produtividade cresce 7,4% e ATR chega a 119,1 kg/t

A produtividade agrícola consolidada atingiu 89,6 toneladas de cana por hectare no trimestre, ante 83,4 t/ha no 1T26, alta de 7,4%. O desempenho ficou acima da média de 83,5 t/ha registrada no Centro-Sul até junho, segundo dados do CTC apresentados pela companhia no relatório.

Entre as unidades, a Jalles Machado apresentou a maior produtividade, de 98,9 t/ha, crescimento de 14,8% sobre as 86,2 t/ha do mesmo período da safra passada. Na Otávio Lage, a produtividade ficou praticamente estável, passando de 89,9 para 90,0 t/ha, enquanto a Santa Vitória avançou 6,8%, de 74,0 para 79,0 t/ha.

O ATR médio também apresentou crescimento, chegando a 119,1 kg por tonelada de cana, 1,3% acima dos 117,6 kg/t registrados no 1T26. Com a recuperação da produtividade agrícola e o aumento do ATR médio, a produção total de ATR alcançou 372,7 mil toneladas, expansão de 11,5%. O TAH, que mede a quantidade de ATR produzida por hectare, avançou 8,8%, para 10,7 toneladas de ATR por hectare.

A moagem cresceu nas três unidades. A Unidade Jalles Machado processou 1,152 milhão de toneladas, avanço de 12,7%; a Unidade Otávio Lage moeu 1,102 milhão de toneladas, alta de 10,7%; e a Unidade Santa Vitória processou 875,2 mil toneladas, crescimento de 6% sobre o primeiro trimestre da safra anterior.

Na indústria, a Jalles direcionou uma parcela maior da matéria-prima para a produção de etanol. O biocombustível respondeu por 67,7% do mix no 1T27, ante 52,3% no 1T26, enquanto a participação do açúcar caiu de 47,7% para 32,3%.

Segundo a companhia, a alteração refletiu a remuneração mais favorável do etanol durante o período, especialmente considerando os incentivos fiscais vigentes e a rentabilidade do açúcar após os custos logísticos de comercialização. A administração afirmou que a flexibilidade industrial permite ajustar o mix de forma dinâmica, direcionando a cana aos produtos com maior retorno econômico, enquanto a estratégia de hedge contribui para proteger as margens.

Com o mix mais alcooleiro, a produção de etanol cresceu 44,5% e atingiu 148,8 mil m³. A produção de anidro aumentou 25,3%, para 40,2 mil m³. Já a produção de açúcar caiu 24,5%, para 114,8 mil toneladas.

Dentro do volume de açúcar produzido, o branco somou 61,3 mil toneladas, queda de 20%, enquanto a produção de VHP recuou 61,1%, para 19,2 mil toneladas. Em sentido contrário, o açúcar orgânico apresentou crescimento de 31,5%, alcançando 34,4 mil toneladas. Segundo a Jalles, o desempenho do orgânico refletiu a recuperação da produtividade agrícola, favorecida pelo controle da matocompetição e pela maior disponibilidade de cana certificada.

A estratégia de comercialização também levou a companhia a carregar mais estoques ao longo do trimestre. O volume total de etanol armazenado atingiu 81,2 mil m³, crescimento de 86% sobre o 1T26. Já os estoques de açúcar somaram 85,3 mil toneladas, queda de 19,5%. No total, os estoques correspondiam a 226,9 mil toneladas de ATR, 22,3% acima do mesmo período da safra anterior, com valor contabilizado de R$ 411,9 milhões.

De acordo com a administração, diante do patamar dos preços do etanol e da capacidade de armazenagem da companhia, a decisão foi reter parte da produção para venda ao longo da safra, buscando melhores condições de mercado.

Receita recua, enquanto hedge sustenta EBITDA Ajustado

A receita líquida da Jalles totalizou R$ 340,4 milhões no primeiro trimestre, redução de 32,6% em relação aos R$ 505,1 milhões registrados no 1T26. A receita operacional bruta ficou em R$ 397,1 milhões, queda de 30,9%, refletindo principalmente menores volumes comercializados de açúcar e etanol e preços mais baixos dos principais produtos.

No mercado interno, a receita bruta atingiu R$ 358,7 milhões, retração de 18%. No mercado externo, somou R$ 38,4 milhões, queda de 72%, principalmente em razão da redução das exportações de açúcar. A companhia também relacionou a menor receita à estratégia de formação de estoques, especialmente de etanol, para buscar melhores oportunidades de comercialização ao longo da safra e durante a entressafra.

Os preços médios realizados também recuaram. O preço bruto médio do açúcar, considerando VHP, cristal e orgânico, ficou em R$ 2.200,80 por tonelada, redução de 25,8%. No etanol, o preço médio do anidro caiu 10,8%, para R$ 2,90 por litro, enquanto o hidratado recuou 12,1%, para R$ 2,85 por litro.

O EBITDA Ajustado, antes dos efeitos da liquidação dos instrumentos derivativos, totalizou R$ 157,2 milhões, queda de 41,7% sobre os R$ 269,6 milhões do 1T26, com margem de 46,2%. Segundo a companhia, o desempenho foi pressionado pela menor receita líquida, decorrente da redução dos volumes comercializados e dos preços de açúcar e etanol, parcialmente compensada pela melhora dos custos operacionais.

Com a incorporação dos efeitos da liquidação dos hedges de açúcar e câmbio, de R$ 112,2 milhões, o EBITDA Ajustado alcançou R$ 269,4 milhões, 2,8% abaixo dos R$ 277 milhões registrados um ano antes. A margem correspondente chegou a 79,1%, ante 54,8% no 1T26.

Na mensagem da administração, a Jalles destacou a importância da estratégia de proteção diante do cenário de preços mais pressionados. Antes do início da safra, a companhia possuía 280,4 mil toneladas de açúcar fixadas a um preço médio de R$ 2.489 por tonelada.

“A estratégia de gestão de riscos da Companhia demonstrou sua efetividade em um ambiente de preços mais pressionados”, afirmou a administração. A companhia acrescentou que a política de hedge contribui para a proteção das margens e para a geração de previsibilidade em ciclos de maior volatilidade.

O custo de produção também apresentou melhora. O indicador por tonelada de ATR caiu 5,1% na comparação anual, para R$ 1.698,90 por tonelada de ATR.

Apesar do desempenho operacional e dos efeitos positivos dos hedges liquidados, a Jalles encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões, ante prejuízo de R$ 14 milhões no 1T26. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 65,2 milhões, ante resultado positivo de R$ 149,1 milhões um ano antes.

A mudança no resultado financeiro foi influenciada principalmente pela marcação a mercado das operações de hedge, que passou de ganho de R$ 231,7 milhões no 1T26 para perda de R$ 74 milhões no 1T27. A companhia ressalta que esses efeitos são exclusivamente contábeis e não representam desembolso de caixa.
Ao final de junho, a Jalles possuía R$ 1,640 bilhão em caixa e aplicações, aumento de 8,8% na comparação anual. Segundo a companhia, o montante equivale a 9,8 vezes a dívida de curto prazo e cobre as amortizações até a safra 2029/30.

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 1,892 bilhão, alta de 2,3% sobre o 1T26. A relação dívida líquida/EBITDA Ajustado dos últimos 12 meses ficou em 1,6 vez, ante 1,3 vez no mesmo período da safra passada. Segundo a companhia, o aumento da dívida líquida refletiu principalmente o menor fluxo de caixa operacional diante da maior formação de estoques de etanol.

Capex recua 14,7% com conclusão de projetos estruturantes

O Capex total da Jalles, excluindo tratos culturais, somou R$ 112,3 milhões no 1T27, redução de 14,7% em relação aos R$ 131,6 milhões do mesmo trimestre da safra passada. O movimento foi influenciado principalmente pela queda de 85,7% nos investimentos em expansão e de 56,7% nos desembolsos destinados à ampliação e melhoria.

O Capex recorrente, por outro lado, aumentou 19,7%, para R$ 94,8 milhões. Os investimentos em plantio de renovação cresceram 34,7%, chegando a R$ 81 milhões, influenciados pela maior área renovada. Já os gastos com manutenção de entressafra caíram 27,6%, para R$ 13,8 milhões.

Os investimentos em expansão ficaram em R$ 2,5 milhões, queda de 85,7%, enquanto o Capex destinado à ampliação e melhoria somou R$ 15 milhões, redução de 56,7%. Considerando também os tratos culturais, que totalizaram R$ 123,5 milhões, os investimentos alcançaram R$ 235,8 milhões no trimestre, retração de 9,3%.

Segundo a administração, a Jalles entrou em uma nova fase após a conclusão dos principais projetos estruturantes realizados nos últimos anos. A estratégia passa agora pela captura de retorno sobre o capital já investido, com disciplina na alocação de recursos e priorização de iniciativas destinadas ao aumento da produtividade, à eficiência operacional e ao preenchimento da capacidade das unidades industriais.

A administração avaliou ainda que a safra avança em condições operacionalmente mais favoráveis, marcada pela recuperação da produtividade agrícola e pelo maior ritmo de moagem, embora inserida em um ambiente de preços mais desafiador para açúcar e etanol. Nesse cenário, a companhia aponta a alocação eficiente de capital, a disciplina comercial, a flexibilidade produtiva e a política de hedge como pilares para a preservação das margens.

Natália Cherubin para RPAnews

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