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Maersk vê potencial para novo mercado marítimo com etanol e cobra regulação

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O vice-presidente da América Latina de políticas públicas e regulatórias da Maersk, Danilo Veras, avaliou que o desenvolvimento de combustíveis à base de etanol para o transporte marítimo pode abrir um novo mercado para o setor sucroenergético brasileiro, mas exigirá avanços regulatórios e investimentos em infraestrutura portuária.

A avaliação foi apresentada durante participação em evento realizado em Ribeirão Preto (SP). Ele destacou o papel do Brasil no debate global sobre combustíveis mais sustentáveis para a navegação.

Segundo Veras, a abertura desse mercado poderá alterar o atual debate sobre oferta de biocombustíveis. “Hoje a gente tem essa discussão sobre oferta. Quando a gente abrir o mercado marítimo, o problema vai ser outro: como atender a esse mercado respeitando as exigências de sustentabilidade”, afirmou.

Ele ressaltou que o avanço da demanda global por combustíveis mais limpos levanta preocupações ambientais e de credibilidade. “O nosso grande receio são os riscos ambientais associados a isso. Quando você cria pressão para dobrar a posição no mundo, precisamos ter certeza de que não estaremos diante de greenwashing”, disse.

Veras também destacou o papel de empresas brasileiras no debate técnico sobre o etanol como combustível marítimo. Ele citou contribuições da Copersucar e da Inpasa em discussões internacionais sobre o tema.

Para o executivo, o Brasil reúne condições para liderar a oferta de combustíveis renováveis para a navegação, desde que consiga consolidar regras claras e certificação ambiental robusta.

“Nós podemos bater no peito e dizer: nós sim podemos cumprir as mais altas requisições de sustentabilidade, porque é isso o que esse mercado tem feito”, afirmou. Ele acrescentou que os testes técnicos para o uso do etanol em navios já avançaram. “A embarcação já existe, os testes foram feitos, inclusive com etanol brasileiro, e funcionou absolutamente bem”, disse.

Apesar do avanço tecnológico, Veras destacou que o principal desafio agora é criar condições para que esse mercado se desenvolva no país. “Hoje o nosso maior desafio é criar esse ambiente regulatório. Na parte de energia está tudo muito bem endereçado. É preciso criar infraestrutura”, afirmou.

O executivo afirmou que há esforço do governo federal para estruturar esse novo mercado. Para Veras, a criação de um mercado doméstico robusto poderia reduzir riscos regulatórios e dar mais segurança ao setor. “Melhor do que disputar lá fora, onde mercados foram abertos e depois fechados, é desenvolver esse mercado aqui, usando a nossa costa”, disse.

Leandro Silveira

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