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Agrícola

Manejo varietal: conhecendo a doença Mosaico na cana-de-açúcar

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Na cana-de-açúcar a maioria das doenças é controlada via resistência genética incorporadas pelos programas de melhoramento, entretanto algumas doenças podem ser controladas mediante o uso de produtos químicos e/ou manejo.

É de fundamental importância o conhecimento das variedades, doenças e suas interações (manejo e manejo varietal específico). Podem ser necessárias práticas de controle e manejo para que os prejuízos, quando ocorrem, sejam minimizados.

As fotos anexadas são recentes e são para ajudar na identificação da doença no campo. As fotos são de uma variedade que ocupa um percentual no censo de cultivo do centro sul e, isso ocorre porque a resistência não é absoluta e sim gradual. Essa variedade é classificada como intermediária para a doença mosaico.

 

O mosaico da cana é uma doença de etiologia viral (causada por vírus) de extrema importância. A única forma de controle atual dessa doença é o plantio de variedades resistentes.

Como os programas de melhoramento genético lançam na sua maioria variedades resistentes e há sucesso no controle pode haver um pensamento errôneo que a doença não existe mais, entretanto, há o risco das unidades (e produtores) voltarem a plantar variedades intermediárias o que aumenta a possibilidade de uma “epidemia”. Isso já aconteceu no passado e entre as variedades suscetíveis plantadas estavam: NA56-79, CB40-13, CO740, etc. Anos posteriores, essa última variedade foi utilizada em um programa de melhoramento como padrão de suscetibilidade.

As perdas do mosaico dependem da fertilidade de solo, porcentagem de touceiras infectadas e principalmente a resistência varietal. A variedade sendo suscetível (ou intermediárias) pode ocorrer o aumento de touceiras infectadas o que aumenta o risco de perdas de produtividade (TAH – Tonelada de Açúcar por Hectare).

O vírus do mosaico (segundo Matsuoka, 2006), é classificado em quatro sorotipos e muitas linhagens. As linhagens diferem nos hospedeiros, habilidade da infecção, tipo, grau e principalmente níveis de perdas. As linhagens podem causar os mosaicos da cana, do sorgo, do milho e até do capim massambará.

O vírus é transmitido através do estilete dos pulgões vetores que fazem o teste de picada de prova nas plantas doentes na tentativa de se alimentar e transmite para plantas sadias na busca de uma nova planta para se alimentar. O principal pulgão vetor é o afídeo Rhopalosipum maidis que coloniza cana, sorgo, arroz e milho. O vírus também pode ser transmitido via tolete.

Os sintomas do mosaico podem ser confundidos com deficiência de cobre, trips, herbicida e até mancha genética. Nas fotos anexadas é 100% sintomas de mosaico e pode ser observado manchas amareladas alongadas, causando perda de clorofila que é mais evidente nas folhas novas. Plantas jovens e de rápido crescimento são mais suscetíveis que plantas maduras, com crescimento mais lento. Na prática quando os sintomas ocorrerem em plantas adultas com alta intensidade, o risco é maior. Outro grande risco é o aumento da incidência e manutenção da fonte de inóculo.

A intensidade varia de acordo com a resistência varietal, linhagem do vírus e condições de cultivo e os sintomas podem até desaparecer, que é considerado uma recuperação aparente. Pode ocorrer também sintomas nos colmos como riscas e estrias deprimidas que podem evoluir para uma necrose do tecido subepidérmico, resultando no encurtamento dos entrenós (variedades muito suscetíveis).

O roguing é recomendado apenas em viveiros e quando o nível de infecção é baixo. Para o mosaico o uso de variedades resistentes é o método de controle mais eficaz.

 

 

*Rogério do Nascimento é engenheiro agrônomo e responsável por  Tecnologias, Planejamento, Gestão e Operações Agrícolas na Atvos

 

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