Compartilhar

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia como irrisória, e muito inferior ao que ficou acertado em relação à importação do etanol norte-americano com isenção de alíquota, a cota adicional de 80 mil toneladas de açúcar livre de tarifação para exportação para os Estados Unidos, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Desta forma, o presidente da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Ênio Fernandes, ressalta, nesta entrevista, que a continuidade das negociações deve ser atrelada à reciprocidade dos norte-americanos na retirada da tarifa de importação do açúcar brasileiro pelos Estados Unidos. “Não permitiremos nunca medidas que protejam produtores de outros países em detrimento dos produtores brasileiros. Isso é inegociável”.

Qual é a avaliação sobre a cota adicional para exportação de açúcar brasileiro, livre de tarifação, para os EUA?

Exportamos 152,7 mil toneladas sem tarifação e agora foi anunciado este volume adicional de 80 mil toneladas. É mínimo quando analisamos o potencial do mercado americano e consideravelmente inferior à cota mensal de etanol que o Brasil ofereceu novamente aos EUA em setembro. Então praticamente não muda nada. Claro que queremos avançar, mas estamos em processo de negociação e precisamos dialogar em igualdade de condições.

Então não foi uma ampliação expressiva?

O Brasil possui direito de acesso anual (ano fiscal 01/10 à 30/09) ao mercado americano por meio de cota fixa de 152,7 mil toneladas de açúcar, isenta de impostos. Este valor representa aproximadamente 1% de todo o açúcar exportado pelo Brasil em 2019.

A ampliação de tal cota de importação é uma prática comum nos EUA, quando países que gozam do mesmo benefício não conseguem cumprir os embarques de valores predefinidos ou quando há um desabastecimento do mercado doméstico. Ao longo dos últimos dezoito anos, em apenas cinco oportunidades não houve ampliação da cota para o açúcar brasileiro.

Cadastre-se em nossa newsletter