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Açúcar: alta do crude impulsiona etanol e provoca ajuste técnico nos futuros

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Alta do crude impulsiona etanol e provoca ajuste técnico nos futuros do açúcar, enquanto fundamentos continuam baixistas

Os preços do açúcar registraram alta nesta quinta-feira, acompanhando a valorização do petróleo, mas seguem pressionados por um cenário global de ampla oferta e demanda enfraquecida.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio fechou em alta de 0,15 centavo de dólar, ou 1,1%, a 13,66 centavos de dólar por libra-peso, tendo contabilizado o menor preço desde outubro de 2020 na quarta-feira. Já o contrato mais ativo do açúcar branco subiu 1,5%, para US$ 418,30 a tonelada, apesar dos dados de baixa na entrega de maio.

Apesar da reação pontual, o mercado ainda carrega forte pressão baixista. Na véspera, o açúcar em Nova York atingiu o menor nível em 5,5 anos para o contrato mais próximo, refletindo expectativas de oferta global abundante e demanda fraca nas últimas semanas.

Um dos sinais desse enfraquecimento da demanda foi observado na liquidação do contrato maio em Londres, que registrou entregas de 472,6 mil toneladas — o maior volume para esse vencimento em 14 anos.

No cenário fundamental, as projeções seguem indicando superávit global. A trading Czarnikow estima excedente de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um superávit ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. Outras consultorias, como Green Pool e StoneX, também apontam saldos positivos relevantes para o mercado global.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, com produção global estimada em 181,3 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação anual, impulsionada principalmente por Índia, Tailândia e Paquistão.

Pelo lado da oferta, o aumento da produção indiana segue como fator de pressão. Dados da federação de cooperativas do país indicam que a produção acumulada na safra 2025/26, até meados de abril, cresceu 7,7% na comparação anual, totalizando 27,48 milhões de toneladas.

No Brasil, maior produtor global, a produção também contribui para o viés baixista. Segundo a Unica, a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul na safra 2025/26 até meados de março avançou 0,7% em relação ao ano anterior, com maior direcionamento da cana para o açúcar — 50,61% ante 48,08% na safra passada.

Além disso, a sinalização do governo indiano de que não pretende restringir exportações de açúcar neste ano reduziu preocupações com oferta global, reforçando a pressão sobre os preços.

Por outro lado, fatores geopolíticos seguem no radar. Interrupções logísticas, como a restrição no Estreito de Ormuz, já impactaram cerca de 6% do comércio global de açúcar, oferecendo algum suporte pontual às cotações.

Assim, o mercado de açúcar segue dividido entre o suporte vindo do petróleo — via etanol — e o peso de um cenário global ainda marcado por excedentes e demanda fragilizada.

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Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

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