Aumento da produção de açúcar na Índia e Brasil, e perspectiva de superávit, mantêm mercado sob pressão
Os preços do açúcar voltaram a cair com força no mercado internacional e levaram o contrato em Nova York ao menor nível em cerca de cinco anos e meio, pressionados pela perspectiva de excedentes globais persistentes e aumento da oferta nos principais países produtores.
De acordo com análise publicada pelo Barchart, o contrato maio do açúcar bruto encerrou a sessão com queda de 2,67%, a13,70 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco em Londres recuou 1,11%, chegando a US$ 412,30. O movimento ocorreu após os preços devolverem ganhos iniciais e acelerarem as perdas ao longo do dia.
O mercado vem sendo pressionado nas últimas semanas pela expectativa de ampla disponibilidade global. A perspectiva de continuidade dos excedentes tem sido um dos principais fatores de baixa para as cotações.
Estimativas de diferentes consultorias reforçam esse cenário. A Czarnikow projeta superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda mais expressivo de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26. Já a Green Pool Commodity Specialists estima superávit de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e 156 mil toneladas no ciclo seguinte, enquanto a StoneX aponta excedente de 2,9 milhões de toneladas para a temporada atual.
A International Sugar Organization também revisou o cenário e passou a projetar superávit global de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, após déficit de 3,46 milhões de toneladas no ciclo anterior, com aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão. A entidade estima crescimento de 3% na produção mundial, para cerca de 181,3 milhões de toneladas.
No lado da oferta, a Índia segue como um dos principais vetores de pressão. A produção do país avançou 9% na safra 2025/26, atingindo 27,12 milhões de toneladas no acumulado até o fim de março. Além disso, o governo indiano sinalizou que não pretende restringir exportações neste ano, o que reduz temores de menor disponibilidade global.
O Brasil também contribui para o cenário de oferta elevada. Dados da UNICA mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2025/26, até meados de março, avançou 0,7% na comparação anual, somando 40,25 milhões de toneladas. No período, as usinas ampliaram o mix açucareiro para 50,61%, ante 48,08% no ciclo anterior.
Apesar da pressão recente, o mercado chegou a ensaiar recuperação no fim de março, quando a alta do petróleo elevou a competitividade do etanol e levantou a possibilidade de maior direcionamento da cana para biocombustíveis, reduzindo a produção de açúcar. Ainda assim, o cenário predominante segue sendo de excesso de oferta global.
Com informações da Barchart

