Recuperação das monções reduz parte do prêmio climático, enquanto posições recordes de fundos e riscos do El Niño continuam sustentando o mercado
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (21) em leve queda, pressionados pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reduziu parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial da commodity.
Em Nova York, o contrato outubro/26 do açúcar bruto recuou 0,13%, encerrando o dia cotado a 14,81 centavos de dólar por libra-peso. Já em Londres, o contrato outubro/26 do açúcar branco caiu 0,57%, fechando a US$ 466,10 por tonelada. Apesar da correção, o mercado continua sustentado pelos riscos climáticos e pelo elevado posicionamento dos fundos de investimento.
O movimento de baixa ocorreu após o Departamento Meteorológico da Índia informar que o déficit acumulado das chuvas de monção no país caiu para 23% abaixo da média histórica até 20 de julho. No fim de junho, esse déficit era de 42%, indicando uma recuperação significativa das precipitações.
Apesar da melhora recente, o cenário climático continua inspirando cautela. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções de 2026 pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. O período chuvoso no país se estende de junho a setembro e é determinante para o desenvolvimento da cana-de-açúcar.
Outro fator monitorado pelo mercado é o forte posicionamento dos fundos de investimento na bolsa de Londres. Dados do relatório Commitment of Traders (COT), divulgados na última sexta-feira, mostram que os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições compradas líquidas na semana encerrada em 14 de julho, atingindo um recorde de 58.847 contratos líquidos comprados, o maior volume da série histórica iniciada em 2011.
Esse elevado posicionamento pode ampliar movimentos de correção nos preços caso ocorram realizações de lucro ou mudanças no sentimento dos investidores.
Nas últimas semanas, o mercado acumulou forte valorização. O açúcar bruto em Nova York atingiu, em 8 de julho, o maior patamar para o contrato de vencimento mais próximo em cerca de dois meses e meio, enquanto o açúcar branco negociado em Londres alcançou, em 7 de julho, a máxima de aproximadamente dez meses e meio.
A valorização foi impulsionada pelas preocupações com uma possível redução da oferta global, especialmente diante das monções abaixo da média na Índia, que podem comprometer a produtividade da cana e a produção de açúcar do país.
Além das condições climáticas na Índia, o mercado segue atento aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as principais regiões produtoras de açúcar do mundo. A expectativa é de que o evento reduza as chuvas em Brasil, Índia e Tailândia, os três maiores produtores globais da commodity.
No último dia 8 de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) informou que o El Niño, estabelecido recentemente no Oceano Pacífico Equatorial, poderá se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos.
Também na última semana, o serviço meteorológico da Índia revisou sua estimativa para o volume de chuvas da temporada de monções de junho a setembro, reduzindo a previsão de 92% para 90% da média histórica de longo prazo, reforçando a expectativa de uma estação chuvosa abaixo da normalidade.
Com informações da Barchart


