Recuperação da monção reduz preocupações com a safra indiana, enquanto Green Pool e StoneX elevam estimativas de déficit mundial para 2026/27
Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira (31) em queda nas bolsas internacionais. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto fechou cotado a 14,59 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 0,48%. Em Londres, o açúcar branco para outubro terminou o dia a US$ 458,50 por tonelada, recuo de 0,37%. A melhora das chuvas na Índia voltou a pressionar as cotações, reduzindo parte das preocupações com a safra do segundo maior produtor mundial da commodity.
O principal fator de pressão continua sendo a evolução da monção indiana. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), o acumulado de chuvas no país apresentava déficit de 15% até 29 de julho, avanço significativo em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho. A melhora reduz o risco imediato para a safra de cana-de-açúcar e aumenta as expectativas de uma produção maior no país.
No início da temporada, o Ministério de Ciências da Terra da Índia chegou a alertar que a monção de 2026 poderia ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Entretanto, a recuperação das precipitações ao longo de julho amenizou parte dessas preocupações e passou a limitar o avanço das cotações internacionais.
Apesar da pressão de curto prazo, as perspectivas para o balanço global continuam indicando oferta apertada.
Na quarta-feira, a Green Pool Commodity Specialists revisou sua estimativa para o déficit mundial de açúcar na safra 2026/27, elevando a projeção de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. Um dia antes, a StoneX também aumentou sua previsão de déficit global, de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.
As consultorias avaliam que, mesmo com uma possível recuperação da produção indiana, o mercado mundial ainda deverá enfrentar restrições de oferta na próxima temporada.
Outro fator acompanhado pelos agentes é o avanço do fenômeno El Niño. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC), o evento, formado recentemente no Oceano Pacífico Equatorial, pode se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos. Caso isso ocorra, há risco de redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, o que tende a sustentar os preços no médio prazo.


