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Mercado de açúcar vive incertezas com pandemia e subsídios da Índia

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As preocupações com uma segunda onda de contaminação pelo novo coronavírus têm trazido incerteza para o mercado de açúcar, avalia, em relatório semanal, a Archer Consulting.

De acordo com o diretor da consultoria, Arnaldo Correa, ainda não é possível saber os efeitos sobre o consumo da commodity e de combustíveis, o que torna difícil manter uma avaliação positiva sobre o cenário futuro de preços.

“Europa e Estados Unidos vão intensificar as medidas sanitárias para evitar a propagação do vírus. Especialistas gabaritados que acreditam na ciência admitem que a vacina poderá vir apenas em 2021, mas não descartam o primeiro trimestre 2022”, pontua o consultor.

Outro fator de incerteza vem da Índia. De acordo com Arnaldo Correa, o atraso na divulgação dos subsídios do país promove um desequilíbrio ao mercado. A expectativa é de que saia, mas em volume menor ao do ano passado, além da aprovação de um novo preço mínimo para o produto. No entanto, enquanto isso não acontece, usinas poder ser levadas a vender abaixo do mínimo.

Na avaliação do consultor, poucos agentes do mercado acreditam que o setor de açúcar na Índia ficará sem o subsídio. De qualquer forma, há um “sentimento” de que, se isso ocorrer, poderia haver o que chama de “colapso” no preço local. Com isso, a Bolsa de Nova York, principal referência de preços global da commodity, teria que atingir um ponto que tornasse o açúcar indiano novamente atrativo.

“É óbvio que esse preço tem que colapsar sem subsídio para a exportação, pois 5-6 milhões de toneladas de açúcar trarão enorme pressão no mercado doméstico. A pergunta de um milhão de dólares é como o mercado internacional de açúcar vai reagir se forem enxugadas 5-6 milhões de toneladas de açúcar? E qual seria o preço de equilíbrio em NY sem a garantia de preço mínimo interno na Índia?”, questiona.

O que tem havido de suporte aos preços da commodity vem dos fundos, lembra o diretor da Archer Consulting. Além de reforçarem a posição comprada para o vencimento de março de 2021, começaram a aumentar a pressão sobre o contrato de maio, apostando em condições favoráveis para rolarem a posição na bolsa americana.

“A posição, dos fundos, não poderia ser mais confortável, pois embora ainda tenhamos mais de 100 dias pela frente até a expiração do contrato futuro de março/21, a inversão do mercado favorece a rolagem da posição comprada de março para maio uma vez que o fundo, ao fazê-la, estará vendendo o março mais caro do que a nova compra no maio, gerando um lucro realizado no seu portfólio”, explica.

Em meio a este cenário, o contrato de açúcar com vencimento em maio de 2021 encerrou a sexta-feira (30/10) cotado a US$ 0,1436 por libra-peso. Maio de 2021 fechou a US$ 0,1339 e julho do ano que vem a US$ 0,1282. Os três contratos são os de maior volume negociado em Nova York (ICE Futures US).

De acordo com a Archer Consulting, em uma semana, o contrato de março sofreu uma desvalorização equivalente a US$ 7 por tonelada de açúcar. No Brasil, a perda foi compensada pela valorização do dólar em relação ao real.

“Um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, mostrou excelentes valores em reais por tonelada para os açúcares de longo prazo. Pode ser essa uma das razões para a cotação de NY ter tido uma queda tão acentuada nos vencimentos mais longos. A melhora dos preços esta semana, foi em média de R$ 17,00 por tonelada”, analisa Arnaldo Correa, no relatório.

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