Nova tecnologia poderá adicionar 1 bilhão de litros de etanol por ano em usinas

A adoção de aprendizagem de máquina no processo de fermentação poderia aumentar de 1 a 3% a performance da produção de etanol.

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e a startup GlobalYeast fecharam acordo para o desenvolvimento de novas tecnologias para processos fermentativos “inteligentes” que podem contribuir com aumentos significativos de até 1 bilhão de litros de etanol em uma usina sucroenergética.

A tecnologia tem como foco a otimização dos sistemas computadorizados. O escopo do projeto é gerido pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) e prevê a utilização das instalações de Bioprocessos e da Planta Piloto, onde processos fermentativos serão escalonados, gerando dados para alimentar o algoritmo desenvolvido pela GlobalYeast e incorporado na solução BioCalÒ. O BioCalÒ, por sua vez, funciona de forma semelhante aos aplicativos de tráfego de veículos: a ferramenta monitora os processos fermentativos em tempo real e antecipa problemas na rota fermentativa, sendo capaz de tomar decisões para corrigir desvios durante a fermentação.

Aumento de produção

A adoção de aprendizagem de máquina no processo de fermentação poderia aumentar de 1 a 3% a performance da indústria de sucroenergética. De acordo com Juliana Teodoro, pesquisadora do LNBR que coordena o projeto, considerando que o Brasil tem cerca de 400 usinas de bioetanol, esse aumento produtivo representaria um aumento potencial de até 1 bilhão de litros adicionais, o equivalente a cerca de cinco usinas a mais na matriz nacional.

O sistema de fermentação inteligente BioCal, que está sendo aperfeiçoado em parceria com o CNPEM, é um exemplo concreto do conjunto de soluções baseadas em aprendizagem de máquina.

Para a pesquisadora, a parceria possibilita “colocar o laboratório na fronteira do que existe para a fermentação de primeira geração, tanto em termos de leveduras mais eficientes, como também no âmbito de processos que utilizam o machine learning em processos industriais”.

De acordo com Marcelo Amaral, CEO da GlobalYeast no Brasil, a cooperação com o CNPEM é estratégica pois permite gerar informações complexas que vão alimentar o modelo da empresa, aperfeiçoando o modelo.

“Trazer soluções para uma indústria bem consolidada é um enorme desafio, por isso o desenvolvimento do sistema em conjunto com o Centro é importante. Temos elementos que sugerem ser possível melhorar o desempenho da indústria”, afirma.

A parceria entre o CNPEM e a GlobalYeast conta com financiamento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Fundada em 2015 com apoio de investidores do Brasil e da Europa, a GlobalYeast é uma startup de biotecnologia belgo-brasileira que desenvolve e comercializa soluções alinhadas à indústria 4.0, com ferramentas de gerenciamento automático de processos fermentativos, além de variedades geneticamente modificadas de microrganismos.