Home Últimas Notícias Novas perspectivas para o etanol: muito além do uso automotivo
Últimas Notícias

Novas perspectivas para o etanol: muito além do uso automotivo

Compartilhar

Combustível começa a ganhar novos mercados energéticos com forte racional econômico

A eletrificação gradual da frota de veículos leves e a expectativa de desaceleração do consumo global de petróleo entre as décadas de 2030 e 2040 costumam alimentar dúvidas sobre o futuro do etanol.

Esse diagnóstico, porém, precisa ser relativizado à luz das tendências regulatórias e de mercado. Na prática, a mistura de etanol à gasolina vem crescendo em diferentes regiões do mundo, impulsionada por metas de descarbonização, segurança energética e redução da dependência de importações de petróleo.

Mercados maduros, como EUA e Europa, avançam gradualmente do E10 (gasolina com 10% de etanol) para o E15, enquanto economias emergentes, com destaque para a Índia, aceleram programas rumo ao E20. Nos EUA, há oferta do E85 para veículos flex em alguns estados.

No Brasil, a elevação do teor obrigatório para 30% criou uma demanda estrutural suplementar, funcionando como amortecedor frente à eletrificação parcial da frota.

Mesmo que o consumo total de gasolina se estabilize ou recue, a maior participação do etanol no blend tende a sustentar volumes, receitas e previsibilidade para o setor na próxima década.

Além do uso automotivo, o etanol começa a ganhar espaço em novos mercados energéticos com forte racional econômico. No transporte marítimo, surge como uma das rotas em avaliação para a descarbonização do bunker (combustível marítimo), ao lado de alternativas como metanol, amônia e combustíveis sintéticos.

Ainda restrita a projetos-piloto, essa aplicação depende de escala, preço relativo e regras claras de contabilização de carbono.

O biocombustível também passa a ser visto como insumo estratégico para a produção de hidrogênio de baixo carbono. A possibilidade de gerar H₂ a partir do etanol no ponto de consumo reduz desafios logísticos e pode acelerar mercados regionais, sobretudo em países com base sucroenergética consolidada.

Outro desdobramento relevante está na aviação. O etanol figura como matéria-prima potencial para combustíveis sustentáveis de aviação, por meio da rota Alcohol-to-Jet. Ela permite a produção de querosene quimicamente igual àquele produzido por fonte fóssil.

Em um setor com poucas alternativas tecnicamente maduras, essa aplicação tem o potencial de conectar o etanol a um mercado global de alto valor agregado, impulsionado por mandatos e compromissos climáticos.

Por fim, os subprodutos da cana reforçam a lógica de biorrefinaria. Bagaço e palha sustentam a cogeração de eletricidade, enquanto vinhaça e torta de filtro viabilizam biogás e biometano. Esse conjunto reduz a exposição do setor a um único mercado e fortalece o etanol como ativo estratégico da transição energética.

CNN

 

Compartilhar

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

Episódio 19: Ameaça a produtividade dos canaviais: doenças e nematoides. Como se proteger?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Raízen tomba 44% no ano, volta a ser penny stock e entra de novo na mira de sanção da B3

As ações da Raízen entraram novamente no radar de sanções da B3....

Últimas Notícias

Etanol de milho é um dos pivôs da crise da Raízen, que renegocia dívida de R$ 65,1 bilhões

Empresa de biocombustível aumentou produção de etanol a partir do bagaço da...

açúcar
Últimas Notícias

Produção de açúcar da Índia atinge 26,17 milhões de toneladas até 15 de março, alta de 10%

A produção de açúcar na Índia alcançou 26,17 milhões de toneladas até...

Últimas NotíciasDestaque

Credores querem maior injeção de capital na Raízen para tratar sobre conversão da dívida

Detentores de dívida da empresa querem que acionista coloque R$ 12,5 bilhões...