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O etanol precisa virar commodity global — e não instrumento inflacionário

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Temos que commoditizar o etanol para que o setor sucroenergético fique menos exposto a políticas populistas. Independente da sigla que esteja no comando.

Essa semana o atual governo petista oficializou a subvenção tributária à gasolina. Uma medida que poderá — conjugado no futuro, afinal os impactos não são garantidos — aliviar o bolso da população, mas que, no presente, traz impactos ao setor sucroenergético. Ao conter o preço da gasolina, por paridade, contém-se também o do etanol.

E por mais que essa medida populista e eleitoreira se configure como mais um episódio de irresponsabilidade fiscal do atual governo, ela não é novidade, tampouco exclusividade do PT. Toda vez que a inflação ameaça ganhar força, os combustíveis são utilizados como alavancas para conter aumentos.
Vamos recapitular um passado recente.

A gestão Bolsonaro fez isso em 2022 com os pacotes de desoneração fiscal. Temer, 2018, diante da greve dos caminhoneiros, também teve seu momento. Neste caso, ainda que não relacionado à gasolina, mas ao diesel, a lógica foi a mesma. Dilma, a partir de 2011, elevou essa prática a outro patamar. Além das questões fiscais, congelou os preços da gasolina por anos. Resultado: não conteve a inflação e quase quebrou a Petrobras e o setor sucroenergético. Muitas usinas fecharam ou foram colocadas na UTI financeira. E várias ainda lidam para sair dos buracos daquela época.

Agora, convido você, leitor, a utilizar das ferramentas de buscas ou IA e procurar pelos históricos de intervenções dessa natureza. Em praticamente todas as gestões dos últimos 30 anos, em maior ou menor intensidade, há registros de interferências tributárias. Seja criando impostos. Ou retirando para depois devolver .

Um padrão, inclusive, destacado pelo ChatGPT (onde fiz meu exercício) e que utilizei como ilustração na postagem.

E como diminuir os efeitos das intervenções sobre o setor sucroenergético? Mais especificamente sobre o etanol, que, em vez de ser promovido via políticas públicas de médio prazo, acaba sofrendo os efeitos colaterais do controle inflacionário?

Uma das saídas é promover a commoditização global do etanol. Claro que muitos desafios precisam ser superados. Tanto no que diz respeito à produção — além de EUA e Brasil, mais países precisariam entrar ofertando o produto — mas sobretudo no consumo. Dos 195 países do mundo, apenas 15 utilizam etanol misturado à gasolina. E, mesmo assim, normalmente em percentuais tímidos, entre 5% e 10%, cercados de restrições e exceções.

Óbvio que a internacionalização não seria uma bala de prata. Mas atenuaria os efeitos. Vide o açúcar. Que também sofre com tarifaços e outras interferências. Ainda assim, suas oscilações tendem a responder mais aos fundamentos de mercado do que às políticas domésticas.

Enquanto o etanol continuar tendo seu preço definido mais por decisões políticas locais do que por um mercado internacional robusto, continuaremos discutindo governos quando deveríamos estar discutindo demanda.

*João Rosa, o Botão é engenheiro agrônomo e sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos

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Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

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