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O que já era esperado para o início da safra 2026/27 se concretiza

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O primeiro terço da Safra 2026/27 aponta aumento da produtividade (TCH – tonelada de cana por ha) e queda no ATR (açúcar total recuperável) dentro do mesmo período em relação à anterior, Safra 2025/26.

De acordo com os dados do benchmarking Datacana, composto por centenas de usinas do Centro-Sul do Brasil, os meses de abril, maio e junho de 2026, descrevem o início da Safra 2026/27, como sendo uma safra desafiadora, onde os preços dos insumos da cadeia produtiva estão elevados, por conta principalmente da guerra entre os EUA x IRÃ, e os preços das commodities, principalmente do açúcar, em baixa.

Abaixo segue um dashboard da Safra 2026/27 do Centro-Sul do Brasil, apontando alguns dos principais indicadores de desempenho até o momento (acumulado junho/26), onde observamos de forma resumida o seu comportamento.

Visando detalhar um pouco mais o comportamento da safra atual, podemos observar a seguir outros gráficos mostrando como se comportaram algumas das principais variedades colhidas até o momento, e seus indicadores de desempenho: produtividade, riqueza, e como a margem de contribuição agrícola (MCA) em R$/ha, foram muito impactadas pelo aumento dos valores do CTT (corte, transbordo e transporte), e consecutivas quedas no preço do ATR.

Margem de Contribuição Agrícola (MCA) em R$/ha

A figura 1 mostra as 12 variedades mais colhidas na safra 2026/27 (Região Centro-Sul). As três variedades com maior área colhida, do 1º ao 5º corte (RB96 6928, CTC4 e CTC9001), apresentaram uma redução média de aproximadamente R$-3312,55/ha na MCA, frente aos valores observados na safra 2025/26. Os maiores valores de MCA foram observados na safra 2024/25.

Produtividade Agrícola (TCH)

A Figura 2 mostra as 12 variedades mais colhidas na safra 2026/27 (Região Centro-Sul). As três variedades com maior área colhida, do 1º ao 5º corte (RB96 6928, CTC4 e CTC9001), um aumento de aproximadamente 6,4% em TCH, frente aos valores observados na safra 2025/26. Os maiores valores de TCH foram observados na Safra 2024/25.

Qualidade Tecnológica (ATR em Kg/t)

A Figura 3 mostra os valores de ATR (Kg/t) para as 12 variedades mais colhidas na safra 2026/27 (Região Centro-Sul). As três variedades com maior área colhida, do 1º ao 5º corte (RB96 6928, CTC4 e CTC9001), apresentaram uma redução média de aproximadamente -2,4% nos valores de ATR (Kg/t), frente aos valores observados na Safra 2025/26.

Margem de Contribuição Agrícola (MCA) em R$/ha de Novas Variedades/Clones

Na figura 4 encontram-se os resultados obtidos em MCA média aritmética das áreas do 1º ao 5º corte para 10 novas variedades/clones, com área (ha) representativa, comparados a RB96 6928 e CTC4, utilizadas como referência. Nesta figura 04 as variedades estão em ordem decrescente de área colhida (%) na Safra 2026/27.

 

Este acompanhamento realizado no decorrer da safra é muito importante, pois possibilita interpretar os dados acima e se nossas previsões/expectativas estão alinhadas com os canaviais que acompanhamos no campo, comportamento do plantel varietal, manejo e clima, o qual são fundamentais para nos embasar, oferecendo condições de antecipar algumas situações, e consequentemente nos prepararmos para o que a safra nos reserva, mas sempre atento a todo movimento que envolve os canaviais, e também a eventos de grandes proporções externa como agora o “super El Niño”, previsto para 2026 e 2027, onde os cientistas insistem que deve ser tratado com um alerta climático urgente, cujas mudanças no comportamento do clima, acarretará chuvas em excesso, temperaturas elevadas, geada, assim como, outros eventos impactantes que também podem vir a ocorrer, mesmo fora de época.

Por isso, são essenciais tanto o acompanhamento quanto um planejamento antecipado, com estratégias e práticas conservadoras, visando mitigar os estragos e perdas, obviamente, também fornecendo subsídios para a estratégia comercial do setor sucroenergético

 

*Fábio Vidal Mina Junior é engenheiro agrônomo, pós-graduado, com MBA em Agronegócios e mestrado na ESALQ/USP, consultor técnico de muita experiência no setor sucroenergético e diretor da Consulcana – Soluções Aplicadas a Cana-de-Açúcar.

 

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