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[Opinião] Diesel, dependência e decisões: o Brasil na encruzilhada do S-10 russo

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Mineiro velho aprende cedo: quando a gente depende demais de um só fornecedor, qualquer tropeço vira tombo. E o Brasil, nos últimos tempos, anda pisando em terreno escorregadio quando o assunto é diesel.

Produzimos muito, mas não o suficiente. As refinarias brasileiras, mesmo com esforço e capacidade técnica, ainda não dão conta de tudo que o país precisa. Em 2024, a Petrobras processou cerca de 600 a 700 mil barris por dia de diesel, num consumo que gira em torno de 1,8 milhão de barris diários. Ou seja: quase 1 em cada 3 litros precisa vir de fora.

E de onde vem esse “de fora”? Da Rússia, uai. A Rússia, mesmo debaixo de sanções e críticas internacionais, virou o “balcão de oportunidade” do diesel barato. Em 2024, mais de 64% do diesel importado pelo Brasil veio de lá, somando mais de US$ 5 bilhões só naquele ano. O motivo? Desconto de até US$ 0,30 por galão, o que dava mais ou menos uns R$ 0,22 por litro mais barato do que trazer dos EUA.

Foi uma mão na roda… até agora.

O trem pode descarrilar

Com ameaças de tarifas de até 100% sobre combustíveis russos por parte do G7 e outros parceiros comerciais, o Brasil está diante de um dilema: mantém a importação mais barata e arrisca sanções ou corre atrás de novos fornecedores a preços mais altos?

Enquanto isso, a Petrobras tenta correr contra o tempo: tem 45 dias para ampliar sua produção ou fechar novos contratos, senão, o diesel vai subir — e quem paga a conta é o caminhoneiro, o agricultor, o posto e, no fim, o consumidor.

Em breve, vamos aprofundar os limites técnicos das refinarias brasileiras e explicar por que nem sempre é possível ‘girar o botão’ e aumentar a produção — falaremos do chamado Fator de Utilização Total (FUT) e dos riscos que ele traz para a manutenção e segurança das plantas.

E o biodiesel, sô? Agora vem a parte que nem todo mundo valoriza. Tem gente que fala mal do biodiesel porque “dá mais manutenção”, “rende menos”… Mas vou te contar: se não fosse o biodiesel, a dependência lá de fora era ainda maior.

Com a mistura obrigatória chegando a 15% e podendo chegar a B18 rapidamente. O biodiesel já substitui de 7% a 10% de todo o consumo de diesel no país. E é produto nacional, gerado aqui, de soja, sebo e outros óleos.

Ou seja, mesmo com limitações, o biodiesel atua como uma espécie de “válvula de escape nacional”, que mitiga o impacto de choques externos — como crises geopolíticas, sanções internacionais ou escaladas de preços no mercado global, apesar da existência de uma série de restrições por parte de especialistas.

Moral da história mineira:

“Quando a estrada aperta, o segredo não é acelerar — é conhecer bem o freio, o desvio… e valorizar o que a gente já tem e tem cana e tem Bio.”

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade de seus respectivos autores e não correspondem, obrigatoriamente, ao ponto de vista da RPAnews. A plataforma valoriza a pluralidade de ideias e o diálogo construtivo.
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