Não foi a Shein, nem a Amazon, nem o TikTok. Quem está sacudindo o mercado brasileiro hoje são dois nomes que, até pouco tempo atrás, estavam nos bastidores da grande guerra do combustível: Grupo Argenta e Inpasa/SIM.
Vamos por partes, que nem churrasco bom.
Primeiro, o Grupo Argenta, aquele mesmo que comprou os ativos da TotalEnergies e licencia a marca Petronas por aqui, agora resolveu lançar mais uma empresa, a 11ª do grupo. O objetivo? Simples: invadir o Sudeste e o Centro-Oeste com força de distribuidora nacional. Isso mesmo, o gaúcho quer dançar no baile dos grandes. E tá com a roupa de festa completa: marca internacional, estrutura verticalizada e sede em São Paulo, porque ninguém conquista o Brasil com QG em Bento Gonçalves (por mais charmoso que seja).
Do outro lado do tatame, temos a notícia fresquinha da joint venture entre a Inpasa e o Grupo SIM. Para quem não sabe, a Inpasa virou o maior produtor de etanol de milho do país, enquanto a SIM já é a quarta maior distribuidora da Região Sul. Se o Cade autorizar o negócio, teremos mais uma megaestrutura verticalizada, como já fizeram Shell + Cosan (Raízen) e Vibra + Copersucar (Evolua).
Tá, mas o que isso muda na minha vida de dono de posto, TRR ou consumidor? Muda tudo.
Com mais players fortes e integrados chegando, a disputa pelo volume e pela fidelidade do revendedor vai aumentar. Isso significa que:
• O dono de posto pode ter melhores ofertas de fornecimento, mas também maior pressão por fidelidade e volume mínimo.
• O TRR pode ganhar parceiros mais estratégicos — ou perder território, se dormir no ponto.
• O consumidor final talvez nem perceba a marca nova na nota fiscal, mas pode sentir o efeito no preço, na qualidade e até na inovação dos serviços.
E a velha guarda? As grandes distribuidoras nacionais, que há anos dominam o tabuleiro, agora têm que jogar com menos espaço para erro e mais concorrência regional com apetite nacional.
A tendência é clara: quem tiver etanol direto da fonte, logística eficiente e marca com apelo comercial, larga na frente.
Mas cuidado, leitor apressado: isso não é torcida nem crítica. Aqui não tem bandeira. Tem observação atenta, de quem vive o Downstream com as botas sujas de óleo e a cabeça limpa.
Moral da história?
O mercado está em plena mutação. Gaúcho mirando o Sudeste. Produtor de milho virando distribuidor. E o Cade com papel fundamental para manter o jogo limpo e competitivo.
No fim das contas, como diria um sábio lá da fronteira: “Quando o galpão começa a encher, é bom cuidar pra não perder o espaço na roda.”
*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.
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