Os preços do petróleo e do gás despencaram nesta quarta-feira, 8, após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, o que despertou esperanças de uma retomada do tráfego no Estreito de Ormuz.
O preço do Brent do Mar do Norte para entrega em junho caiu 13,29%, a US$ 94,75 o barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI) para entrega em maio recuou 16,41%, a US$ 94,41 o barril.
Os preços do gás também caíram drasticamente. O contrato a futuro holandês TTF, considerado a referência europeia, caiu 14,92%, a 45,30 euros (US$ 52,70).
“Os operadores esperam certa melhora no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz”, comentou o analista Patrick O’Hare, da Briefing.com, depois que Washington e Teerã acordaram uma trégua de duas semanas, com o compromisso de Teerã de reabrir esta via marítima estratégica.
Se a reabertura for confirmada nos próximos meses, “em teoria, os 10 a 13 milhões de barris diários de petróleo e produtos derivados de petróleo que estavam bloqueados deveriam se liberar gradualmente”, explicou o analista Tamas Varga, da PVM.
“No entanto, persiste uma incerteza considerável em relação às medidas que devem ser adotadas para reduzir significativamente o risco geopolítico no Oriente Médio”, declarou o diretor executivo da Tortoise Capital Management, Rob Thummel, à AFP.
A trégua parece estar por um fio, pois Irã e Israel ameaçaram retomar as hostilidades nesta quarta-feira.
O Paquistão, mediador do cessar-fogo, instou as partes a agirem com moderação após os ataques israelenses mortais no Líbano e novos ataques iranianos contra as monarquias do Golfo.
Apesar do anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz, poucos navios se aventuraram a transitá-lo nesta quarta-feira.
Segundo o analista da Rystad Energy, Jorge Leon, mesmo com um cessar-fogo permanente, os preços não baixariam de US$ 80 no futuro próximo, devido a “atrasos logísticos importantes no estreito” e “danos generalizados à infraestrutura energética da região”.
Agence France-Presse