Petróleo: se preços continuarem baixos, setor sucroenergético sentirá impacto

O conflito entre Rússia e Arábia Saudita somado a crise provocada pelo Coronavírus tem provocado verdadeiro rebuliço na economia mundial. Ontem, 09, o preço do petróleo despencou quase 25% no mercado internacional e, mesmo com a recuperação, de cerca de 10% hoje, 10, o cenário para o setor sucroenergético pode mudar um pouco de figura.

De acordo com Haroldo José Torres da Silva, economista e pesquisador do Pecege (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), é preciso analisar se a queda do preço do petróleo é pontual ou conjuntural. Se essa queda for conjuntural, ou seja, se os preços baixos do petróleo continuarem por um tempo, isso certamente vai impactar o setor sucroenegético.

Apesar do preço do petróleo baixo no mercado internacional ser um desestímulo as energias renováveis, seja eólica, solar e até mesmo dos biocombustíveis, Torres acredita que o momento é pontual. “Acredito que nos próximos meses tendemos a ter recuperação de preços. Mas isso é algo ainda incerto. É cedo para dizer.”

Cbios poderiam ser amortecedor do setor

Se o RenovaBio estivesse operando com a comercialização dos Cbios, segundo Torres, certamente ele seria o amortecedor do setor sucroenergético nessa queda de preço de petróleo.

“Acredito que o papel do Cbios será justamente o de ter maior valor em momentos de baixos preços do petróleo com vistas a manter o nível de produção dos biocombustíveis de forma que o setor consiga atender as suas metas, principalmente de volume de Cbios comercializado e, consequentemente, das metas do acordo de Paris.”

Ainda de acordo com ele, o valor do Cbio vai ser tão maior quanto menor for o valor do petróleo no mercado internacional, porque é a ocasião em que o etanol perde a competitividade.

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“Começamos um ano interessante. Se olharmos para janeiro vimos o conflito entre Irã e Estados Unidos que resultou na alta do preço do petróleo e agora temos a questão da Rússia e da Arábia Saudita somado ao Coronavirus, derrubando o preço do petróleo. Acho que é um ambiente de muita volatilidade e instabilidade”, adiciona.

Neste momento o que está trazendo o alivio é o câmbio. “É importante considerar que a queda foi muito mais importante que a desvalorização do câmbio e se a Petrobras fizer esse repasse a gasolina e esse repasse chegar na bomba, corremos um sério risco de o etanol perder competitividade em uma safra que tinha uma grande chance para ser uma das grandes safras do setor”, conclui o economista do Pecege.