Portugal e o Brasil estão buscando atrair investidores brasileiros para construir uma ou duas usinas de biocombustíveis avançados e combustível de aviação sustentável em Portugal, afirmou nesta quinta-feira, 16, a ministra da Energia do país.
Maria da Graça Carvalho disse que discutirá o projeto – que visa tanto o mercado interno quanto o europeu – durante reunião com seu homólogo brasileiro em Brasília na próxima semana.
Segundo a ministra, o objetivo é aproveitar a expertise do Brasil em biocombustíveis e a posição de Portugal como porta de entrada para a Europa para atender à crescente demanda por combustíveis de baixo carbono.
Carvalho disse que o projeto conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela acrescentou que o Brasil – que descreveu como um parceiro “muito próximo” – é o maior fornecedor de petróleo de Portugal, respondendo por 44% das importações.
“O Brasil é líder há muitos anos e possui experiência tecnológica significativa em biocombustíveis avançados e SAF (combustível de aviação sustentável), e queremos oferecer as condições em Portugal para a instalação de uma ou duas usinas para produzir esses combustíveis”, afirmou Carvalho a repórteres.
Ela complementou: “Estamos considerando uma espécie de joint venture por meio da qual poderíamos produzir não apenas para o mercado português, mas também para o mercado europeu”.
A ministra ainda informou que visitará usinas no Brasil na próxima semana. Qualquer possível investimento em instalações semelhantes em Portugal seria conduzido por meio da AICEP, a agência de investimento estrangeiro do país, acrescentou ela.
A indústria de biocombustíveis avançados de Portugal ainda está dando os primeiros passos, com a Galp construindo uma usina de combustíveis renováveis com capacidade para 270 mil toneladas por ano em Sines, que deve começar a produzir SAF e diesel renovável em 2026.
Carvalho afirmou que a Argélia é o segundo maior fornecedor de petróleo de Portugal, depois do Brasil, enquanto a Nigéria e os Estados Unidos são os dois principais fornecedores de gás natural, o que significa que o país não depende da região do golfo Pérsico, embora continue exposto às oscilações dos preços globais da energia.
Reuters| Sergio Gonçalves

