Mercado de açúcar reage à persistência de chuvas abaixo da média em importantes regiões produtoras indianas, enquanto dólar mais fraco e valorização do petróleo reforçam o movimento de alta
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira em alta nas bolsas internacionais, sustentados principalmente pelas preocupações com o desenvolvimento da safra indiana diante da irregularidade das chuvas de monção. Em Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento mais próximo fechou cotado a 16,68 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,43 centavo (+2,65%). Em Londres, o açúcar branco avançou para US$ 481,90 por tonelada, alta de US$ 10,20 (+2,16%).
De acordo com análise do Barchart, a principal força por trás da valorização continua sendo o comportamento das monções na Índia. As precipitações permanecem abaixo da média em importantes áreas produtoras, aumentando as preocupações do mercado quanto ao potencial produtivo da próxima safra do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Segundo o banco de dados meteorológico citado pelo Barchart, as chuvas acumuladas desde o início da temporada de monções seguem abaixo da média histórica em diversas regiões do país. O cenário amplia o risco de perdas na produtividade da cana-de-açúcar caso as precipitações não se regularizem nas próximas semanas.
Além do fator climático, o mercado também encontrou suporte na valorização do petróleo. A recuperação dos preços da commodity tende a favorecer a destinação de cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional. O Barchart destaca que esse movimento costuma fortalecer as cotações do adoçante, especialmente no Brasil, maior produtor e exportador global.
Outro fator que contribuiu para o avanço dos contratos foi o enfraquecimento do dólar frente a uma cesta de moedas. Um dólar mais fraco torna as commodities negociadas na moeda norte-americana mais competitivas para compradores internacionais, estimulando a demanda e favorecendo a alta dos preços.
Apesar da recuperação observada nesta sessão, o mercado segue monitorando perspectivas de oferta mais confortável no ciclo 2026/27. O Barchart lembra que consultorias internacionais continuam projetando um equilíbrio maior entre produção e consumo global, embora o comportamento do clima na Índia permaneça como um dos principais fatores de risco para os preços nas próximas semanas.
Os investidores também seguem atentos ao desenvolvimento da safra brasileira e às decisões das usinas em relação ao mix de produção entre açúcar e etanol, variável que continua exercendo influência relevante sobre a disponibilidade do produto no mercado internacional.



