Déficit de chuvas no segundo maior produtor mundial, menor produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro e maior destinação da cana para etanol sustentam alta das cotações
Os preços internacionais do açúcar encerraram a terça-feira (30) em alta pela quarta sessão consecutiva. Na ICE de Nova York, o contrato julho/26 do açúcar bruto fechou cotado a 14,82 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,35%. Em Londres, o contrato agosto/26 do açúcar branco encerrou o pregão a US$ 467,20 por tonelada, avanço de 0,21%. O movimento foi impulsionado pelas preocupações com o baixo volume de chuvas de monção na Índia, que pode reduzir a produtividade da cana-de-açúcar e comprometer a safra do segundo maior produtor mundial da commodity.
Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o volume acumulado de chuvas de monção até 29 de junho estava 42% abaixo da média. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país alertou que a temporada de monções deste ano poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. O período de monções na Índia se estende entre junho e setembro.
Produção brasileira também influencia o mercado
Além das preocupações com o clima na Índia, o mercado acompanha o desempenho da produção brasileira.
De acordo com dados da Unica, a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na safra 2026/27, acumulada até maio, totalizou 6,838 milhões de toneladas, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior.
O levantamento também mostra uma mudança no mix de produção das usinas. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% na temporada passada. Em contrapartida, a parcela destinada à produção de etanol aumentou para 58,38%, frente aos 49,91% registrados no ciclo anterior.
Czarnikow revisa balanço mundial
Outro fator que deu sustentação às cotações foi a revisão das estimativas globais feita pela consultoria Czarnikow.
No último dia 11 de junho, a empresa reduziu sua projeção para o balanço mundial de açúcar da safra 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.
Segundo a consultoria, a revisão reflete a maior produção de etanol pelas usinas brasileiras, favorecida pela recente alta dos preços do petróleo, o que aumentou a atratividade do biocombustível em relação ao açúcar.
Clima e fatores externos seguem no radar
A Barchart destaca que, na semana passada, os preços chegaram ao menor nível em dois meses após a reabertura do Estreito de Ormuz aliviar as preocupações com interrupções no abastecimento global. A normalização da rota marítima tende a reduzir os custos de frete, seguros e combustíveis, diminuindo também os custos para os importadores de açúcar.
Outro fator acompanhado pelo mercado é o fortalecimento recente do dólar, que pressionou as cotações da commodity após o índice da moeda norte-americana atingir a máxima de 13 meses.
Ao mesmo tempo, as preocupações com os efeitos do El Niño continuam sustentando os preços. Em 17 de junho, a Agência Meteorológica do Japão confirmou a formação do fenômeno climático no Pacífico Equatorial. Segundo a Barchart, o El Niño tende a reduzir as chuvas em Brasil, Índia e Tailândia, três dos maiores produtores mundiais de açúcar.
O serviço meteorológico da Índia também reduziu sua estimativa para o volume acumulado de chuvas durante a temporada de monções de junho a setembro para 90% da média de longo prazo, abaixo da previsão anterior de 92%, divulgada em abril.
Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 67% de probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño” neste ano, cenário que poderá ampliar os riscos climáticos para a produção global de açúcar.
Com informações da Barchart



