Os futuros de açúcar encerraram a terça-feira em alta nas bolsas internacionais, revertendo as perdas registradas no início do pregão. Em Nova York, o contrato de março do açúcar bruto (NY #11 – SBH26) subiu 0,03 centavos de dólar, avanço de 0,20%. Já em Londres, o açúcar branco para março (ICE #5 – SWH26) fechou com ganho de US$ 2,50 por tonelada, alta de 0,59%.
O movimento foi influenciado pela valorização do real frente ao dólar, que atingiu a máxima de um mês. A apreciação da moeda brasileira tende a desestimular exportações por parte dos produtores do país, reduzindo a atratividade das vendas externas e favorecendo movimentos de recompra de posições vendidas nos contratos futuros.
Pressão recente veio da Índia
Apesar da recuperação desta terça-feira, os preços do açúcar chegaram ao menor nível em duas semanas na última sexta-feira, refletindo expectativas de maior oferta proveniente da Índia. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção do país entre 1º de outubro e 31 de dezembro da safra 2025/26 alcançou 11,90 milhões de toneladas, alta de 25% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando foram registradas 9,54 milhões de toneladas.
Em novembro, a entidade elevou sua projeção de produção total da safra para 31 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de 30 milhões de toneladas, o que representa crescimento anual de 18,8%. Ao mesmo tempo, a ISMA reduziu a estimativa de açúcar destinado à produção de etanol para 3,4 milhões de toneladas, ante 5 milhões de toneladas previstos em julho — fator que pode ampliar o volume disponível para exportação. A Índia é o segundo maior produtor mundial do adoçante.
O mercado também monitora declarações do governo indiano indicando a possibilidade de autorizar exportações adicionais para reduzir o excedente doméstico. Em novembro, o Ministério de Alimentos já havia aprovado o embarque de 1,5 milhão de toneladas na safra 2025/26. O sistema de cotas para exportação foi introduzido em 2022/23, após quebra de produção ligada a chuvas tardias.
Projeções indicam menor oferta do Brasil em 2026/27
Na direção oposta, expectativas de redução futura da produção brasileira deram suporte às cotações na segunda-feira, quando o açúcar em Nova York atingiu o maior nível em dois meses e meio. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a produção do Brasil na safra 2026/27 deve cair 3,91%, para 41,8 milhões de toneladas, ante 43,5 milhões estimadas para 2025/26. As exportações também devem recuar, com previsão de queda anual de 11%, para 30 milhões de toneladas.