Os preços do açúcar continuaram em alta na segunda-feira, com parte do movimento atribuída à cobertura de posições vendidas antes dos feriados de fim de ano, quando a liquidez do mercado fica reduzida. Os contratos futuros de açúcar bruto em NY com vencimento em março fecharam em alta de 1,15%, a 15,02 centavos de dólar por libra peso. Já os contratos futuros de açúcar branco Londres ICE fecharam em alta de 0,19%, a US$ 426,70.
Na última quinta-feira, os preços do açúcar caíram para mínimas de cinco semanas diante das perspectivas de maiores exportações de açúcar da Índia, após declaração do secretário de alimentos indiano de que o governo pode permitir exportações adicionais para reduzir o excesso de oferta interna.
No mês passado, o ministério de alimentos da Índia informou que permitiria às usinas exportar 1,5 milhões de t de açúcar na temporada 2025/26. A Índia introduziu um sistema de cotas para exportações de açúcar em 2022/23 depois que chuvas tardias reduziram a produção e limitaram o abastecimento doméstico.
Sinais de uma safra maior de açúcar na Índia, o segundo maior produtor mundial, pressionaram os preços após a India Sugar Mill Association (ISMA), em 11 de novembro, elevar sua estimativa de produção de açúcar indiano para a safra 2025/26 para 31 milhões de t, ante uma previsão anterior de 30 milhões de t, um aumento de 18,8% na comparação anual. A ISMA também reduziu sua estimativa de açúcar usado para produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de t, contra uma previsão de julho de 5 milhões de t, o que pode permitir que a Índia aumente suas exportações de açúcar.
Em relatório de 15 de dezembro, a India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção de açúcar indiano na temporada 2025-26, no período de 1º de outubro a 15 de dezembro, aumentou 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 7,83 milhões de t.
Retrospectiva 2025 — a leitura do mercado
De acordo com Arnaldo Corrêa, analista de Mercado e diretor da Archer Consulting, o mercado futuro de açúcar encerra 2025 repetindo um comportamento recorrente: sustentar narrativas por tempo excessivo e só reagir quando os fundamentos se impõem. Para ele, o ano expôs a fragilidade de previsões que envelheceram rápido e a distância entre o consenso financeiro e a realidade física do mercado.
Na avaliação de Corrêa, o início do ano foi marcado por uma combinação de cautela e falsa tranquilidade. O real volátil estimulou fixações agressivas, enquanto os fundos ampliavam posições vendidas confiando que uma grande safra brasileira seria suficiente para resolver qualquer desequilíbrio. Ao mesmo tempo, a Índia voltou a divulgar projeções otimistas, reforçando expectativas que, ao longo do ano, se mostraram frágeis.
Segundo o analista, houve tentativas pontuais de recuperação dos preços nos primeiros meses, impulsionadas por eventos internacionais e discursos otimistas. No entanto, esses movimentos perderam força rapidamente diante de relatórios menos favoráveis, atrasos no início da moagem e sinais inconsistentes no desenvolvimento da cana.
Com o avanço do primeiro semestre, Corrêa aponta que os problemas no campo ficaram mais evidentes, com ATR abaixo do esperado, clima irregular e uma safra menos homogênea do que indicavam os modelos. Ainda assim, o mercado preferiu tratar esses sinais como ruído, mantendo projeções confortáveis e ignorando os alertas vindos da produção.
Ao longo do ano, ele destaca que os fundos especulativos amplificaram os movimentos, aumentando vendas independentemente da direção dos preços. Esse comportamento levou a um mercado excessivamente vendido, mais volátil e cada vez mais desconectado dos fundamentos.
No segundo semestre, o pessimismo se consolidou. Julho e agosto foram marcados por preços deprimidos e baixa disposição para revisão de premissas, enquanto setembro representou um ponto de esgotamento psicológico, quando o mercado passou a rejeitar dados novos e buscar apenas confirmações das próprias crenças.
Foi justamente nesse ambiente, segundo Corrêa, que os fundamentos começaram a se impor. Spreads passaram a sinalizar desconforto, a curva futura indicou desequilíbrios e as posições dos fundos atingiram níveis extremos. A partir de outubro, iniciou-se um ajuste gradual, sem grandes eventos, mas com a realidade retomando espaço.
Para o analista, novembro e dezembro trouxeram alívio técnico e ajustes pontuais, deixando a percepção de que, após um longo período de distorções, o mercado começou a reencontrar algum equilíbrio.